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EUA fecham acordo com Brasil, Argentina e Paraguai para combater terrorismo

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, cita o Irã e a organização islamita libanesa Hezbollah como principais ameaças

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 23h56

BUENOS AIRES - Os Estados Unidos chegaram a um acordo nesta sexta-feira com Brasil, Argentina e Paraguai para combater a "atividade ilícita" na região e seus vínculos com o terrorismo durante uma cúpula em Buenos Aires, na qual citou o Irã e a organização libanesa Hezbollah como principais ameaças.

A aliança entre os quatro países será concretizada através de reuniões semestrais entre funcionários dos Ministérios de Relações Exteriores que terão seu primeiro encontro no Paraguai antes do fim deste ano.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, liderou a delegação que viajou a Buenos Aires para participar da Conferência Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, e convidou os outros países participantes a seguirem os passos da Argentina, que nesta quinta-feira incluiu o Hezbollah na lista de organizações terroristas.

"Parabenizo a Argentina por designar o Hezbollah como organização terrorista, convidamos os países do mundo e deste continente a seguirem o exemplo. (...) Nenhum país anunciou hoje que vai seguir a Argentina, mas espero que muitos o façam", declarou Pompeo.

Além do Hezbollah, o secretário de Estado também direcionou sua mira contra o Irã, ao qualificá-lo como uma das principais ameaças de terrorismo e ao acusá-lo de orquestrar uma "campanha global de terror".

"Temos muitas nações ao redor do mundo dizendo a verdade sobre a República Islâmica do Irã, sua campanha global de terror e as atividades malignas que estão desenvolvendo", ressaltou Pompeo, que também atribui a Teerã o desenvolvimento de "um programa nuclear que é uma ameaça para todo o mundo".

A Argentina acolheu esta cúpula internacional um dia depois que completaram 25 anos do atentado contra a associação judaica Amia, que causou a morte de 85 pessoas e cuja responsabilidade a comunidade judaica e a Justiça argentina atribuem ao então governo iraniano e ao Hezbollah.

Pompeo destacou que os EUA oferecerão uma recompensa de US$ 7 milhões por "informações que possam ajudar a identificar e deter" Salman Raouf Salman, considerado um dos organizadores do ataque contra a Amia.

"O Hezbollah mantém forte presença na América do Sul, nesta região, e está determinado a atacar qualquer um em qualquer lugar, como fez há 25 anos", afirmou Pompeo.

O secretário de Estado americano fez questão de enfatizar a boa relação entre os Estados Unidos e a Argentina e anunciou que os dois países aumentarão a "cooperação estratégica" em temas como "segurança, direitos humanos, democracia e desenvolvimento econômico".

Além disso, Pompeo agradeceu à Argentina por seu trabalho no acolhimento de refugiados venezuelanos.

"A Argentina e sua gente mostraram grande generosidade aos mais de 150 mil refugiados venezuelanos que chegaram aqui. O mundo admira vocês por sua generosidade e eu também", elogiou Pompeo.

A referência do funcionário americano à Venezuela foi breve, mas taxativa. Ele garantiu que "(Nicolás) Maduro não voltará a governar" o país e sua gente, e o responsabilizou por criar uma "crise humana" e destruir a "vida real".

O secretário de Estado americano também detalhou a agenda de cooperação internacional entre EUA e Argentina, que, além de Irã e Venezuela, envolve outros países.

"Os Estados Unidos seguirão trabalhando com a Argentina para conter o regime de (Daniel) Ortega (na Nicarágua) e sua campanha de violência e repressão, além de continuar a luta para promover a democracia em Cuba", acrescentou Pompeu.

As palavras de funcionário americano foram ratificadas pelo chanceler argentino, Jorge Faurie, que também optou pela cooperação internacional para combater o "flagelo" do terrorismo.

"A luta contra o terrorismo requer coordenação. A ameaça terrorista é um flagelo que atinge a todos nós por igual, sem distinção de ideologia, e temos que trabalhar para combater o financiamento que (os terroristas) recebem", declarou Faurie.

Além disso, o chanceler manteve o tom amistoso e agradeceu aos EUA pela ajuda oferecida à Argentina.

"Repassamos nosso diálogo como dois países amigos. A Argentina recebeu tremendo apoio do governo dos Estados Unidos e do presidente Trump em uma época de dificuldades financeiras", frisou Faurie.

A convenção, que contou com a participação de 18 países da região, representa a continuidade do encontro realizado em Washington no ano passado e terá uma nova reunião em janeiro na Colômbia. / EFE

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