Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

EUA fecham embaixada no Iêmen em meio a crise

Segundo autoridades americanas, atividades de inteligência e combate ao terrorismo no país não serão afetadas

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 17h01

SANAAA - Em meio a uma crise política e a precárias condições de segurança no Iêmen, os Estados Unidos estão fechando sua embaixada no país, informaram nesta terça-feira, 10, autoridades americanas. Após meses de confrontos, rebeldes xiitas tomaram a capital, Sanaa, derrubaram o governo e assumiram na semana passada o controle do Parlamento.

Funcionários do governo americano foram retirados do país ontem e a embaixada suspenderá as operações até as condições melhorarem. Há meses, o Iêmen está em confronto com rebeldes xiitas do movimento Houthi, que tem laços com o Irã, cercando a capital e, depois, tomando o seu controle.

Fuzileiros navais americanos que fazem a segurança da embaixada também devem deixar o local, segundo funcionários, mas forças americanas que conduzem missões de combate ao terrorismo em outras partes do país não seriam afetadas.

Embora as operações americanas contra o grupo afiliado à Al-Qaeda no Iêmen continuem, o fechamento da embaixada é visto por analistas como um fracasso para o governo do presidente Barack Obama, que apontava sua parceria com o presidente iemenita, Abd Rabbo Mansour al-Hadi, como um modelo para sua estratégia de combate ao terrorismo, especialmente em países instáveis.

O fechamento da embaixada também vai complicar as operações da CIA no Iêmen, reconhecem autoridades de inteligência americanas. Embora agentes da CIA possam continuar a operar fora de instalações militares americanas, muitas operações de inteligência são feitas nas embaixadas. O principal papel da CIA no Iêmen é reunir inteligência sobre membros da Al-Qaeda na Península Arábica e organizar ataques de drones para matá-los.

Em sua primeira entrevista desde a queda do governo iemenita, o líder dos militantes houthis, grupo que controla Sanaa, disse que o movimento está disposto a dividir o poder com seus rivais e estender a mão aos tradicionais aliados do país, incluindo EUA e Arábia Saudita.

Saleh Ali al-Sammad, autoridade de mais alto escalão no grupo Houthi, fez as declarações no segundo dia de negociações entre os houthis e outros partidos políticos iemenitas para a formação de um governo.

O Iêmen está sem um líder desde que o presidente e seus ministros pediram demissão em 22 de janeiro, citando pressão e ataques dos houthis.

As declarações de Al-Sammad indicam que os houthis estavam ansiosos para sair da posição que assumiram na sexta-feira, quando declararam um plano unilateral para formar um novo governo e escolher um conselho presidencial para governar no lugar do presidente deposto, Hadi. / AP, NYT e REUTERS

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