EUA: gabinete da presidência da Câmara sabia do caso Foley

Um alto assessor do Congresso americano disse nesta quarta-feira ter alertado o gabinete do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Dennis Hastert, sobre a conduta preocupante do ex-deputado republicano Mark Foley - que renunciou ao cargo na semana passada após ser acusado de trocar mensagens de conteúdo erótico com menores de idade. A informação teria sido passada em 2004.Em entrevista à Associated Press, o assessor parlamentar Kirk Fordham disse ter tido "mais de uma conversa (sobre o comportamento de Foley) com funcionários da mais alta hierarquia da Câmara dos Representantes, pedindo a eles para intervirem". Segundo a AP, as declarações de Fordham são uma insinuação de que Hastert sabia do caso.A situação do presidente da Câmara é tão delicada que um importante aliado do deputado cancelou na tarde desta quarta-feira um evento que faria em conjunto com ele para arrecadação de recursos para a campanha eleitoral. O também deputado Ron Lewis, do Estado do Kentucky, explicou que só irá associar sua imagem à de Hastert depois que o escândalo estiver esclarecido."Eu estou tomando as palavras do presidente pelo valor de ´face´", explicou Lewis. "Não tenho razões para duvidar dele. Mas até que isso esteja claro, eu prefiro saber os fatos." E acrescentou: "Se qualquer pessoa em nossa liderança fez algo de errado, eu serei o primeiro a condená-lo."Pegos em conjunto, os comentários de Fordham e as ações de Lewis adicionaram mais incerteza ao cenário político envolvendo Hastert e outros republicanos, a apenas cinco semanas das eleições legislativas de 7 de novembro. Embora os conservadores pareçam cada vez mais favoráveis a sua renúncia, Hastert já avisou que não deixará o cargo. Como presidente da Câmara, ele é terceiro homem na sucessão presidencial. Além disso, é o responsável por estabelecer a agenda de votações da Câmara.RenúnciaDeputado pelo Estado da Flórida por 12 anos, Foley, de 52 anos, renunciou na última sexta-feira após ser acusado de trocar mensagens eletrônicas de conteúdo sexual com garotos que trabalhavam como mensageiros no Congresso. Após deixar o cargo, Foley internou-se em uma clínica de reabilitação para alcoólatras. Na terça-feira, ele afirmou, por meio de seu advogado, nunca ter mantido relações sexuais com os menores.A saída de Foley deixou em seu rastro um escândalo de sexo "virtual" e uma trilha de perguntas sem respostas; sobre o que os deputados sabiam do comportamento do ex-deputado, quando eles souberam e o que fizeram depois que souberam.Fordham contou que servia como chefe de gabinete de Foley quando soube de seu comportamento inapropriado, há mais de três anos. Ainda assim, o assessor não quis identificar as pessoas da equipe de Hastert que teriam sabido do caso.Dois membros da liderança republicana na Câmara informaram terem dito recentemente a Hastert que ouviram falar sobre a troca de mensagens de Foley com os menores. O presidente da câmara reagiu alegando não se lembrar da conversa. Em entrevista concedida na segunda-feira, Hastert afirmou só ter tido conhecimento das acusações contra Foley na sexta-feira, dia em que o deputado renunciou. A oposição democrata, por sua vez, acusa o presidente da câmara de ter acobertado o caso. Em sua defesa, Hastert argumentou que membros de sua equipe sabiam do caso desde o fim do ano passado, mas alegou que não haveria motivos para que o assunto fosse encaminhado à ele naquela época.Texto ampliado às 20h30

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