REUTERS/Stephen Lam
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EUA: Hillary pede maior controle da venda de armas após tiroteio em Charleston

Presidenciável usou discurso para destacar discriminação enfrentada pelos negros americanos

AE, Estadão Conteúdo

20 de junho de 2015 | 18h45

Hillary Clinton, pré-candidata à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, pediu um maior controle da venda de armas no país e disse que o tiroteio que matou nove pessoas em uma igreja metodista em Charleston não é uma tragédia "isolada".

Em um discurso em uma conferência de prefeitos dos EUA, Clinton falou extensamente sobre os assassinatos e elogiou familiares das vítimas, que disseram ter perdoado o atirador Dylann Roof, de 21 anos. "O ato de misericórdia das famílias foi tão impressionante como o ato de crueldade", disse ela.

Favorita para a indicação presidencial democrata, Clinton usou o discurso para destacar a discriminação enfrentada pelos negros americanos. "A raça continua a ser uma profunda linha divisória na América", afirmou.

A presidenciável disse ainda que as escolas se mantêm segregadas, que os negros americanos recebem penas de prisão mais longas do que os brancos para os mesmos crimes e que as crianças negras são cinco vezes mais propensas a morrer de asma que as crianças brancas.

"É tentador considerar uma tragédia como esta como um incidente isolado", afirmou Clinton. "As pessoas estão enganadas ao concluir que a intolerância é algo que nós deixamos para traz, que o racismo institucionalizado não existe mais", acrescentou.

Autoridades disseram que Roof atirou e matou as nove vítimas durante uma aula de estudo bíblico na histórica igreja Emanuel African Methodist Episcopal em Charleston, na Carolina do Sul.

Ele teria dito, durante o tiroteio, que "vocês [os negros] estão estuprando nossas mulheres e tomando conta do país", segundo relatos de testemunhas.

Muitos dos pré-candidatos à presidência se pronunciaram sobre o tiroteio, mas poucos o associaram à injustiça racial.

Jeb Bush, ex-governador da Flórida e um dos principais pré-candidatos republicanos, se esquivou de fazer comentários duros sobre o assunto em um evento nesta sexta-feira pela manhã. "Eu não sei o que estava na mente ou no coração do homem que cometeu estes crimes atrozes", disse.

No final do dia, em um evento de angariação de fundos, Bush recuou e colocou a questão em termos diferentes. "Parte meu coração imaginar que alguém, racista como ele, faria o que ele fez", afirmou.

Clinton alinhou-se com o discurso que o presidente Barack Obama fez na sexta-feira. Ele disse que o país deve ter mais controle sobre a venda de armas e que deve "agir sobre esse ódio".

"O presidente está certo", disse Clinton. "A política sobre esta questão está envenenada. Mas não podemos desistir. Os riscos são demasiado elevados, os custos são demasiado caros." Fonte: Dow Jones Newswires.

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