Daniel Becerril / Reuters
Daniel Becerril / Reuters

EUA implementam plano para enviar mexicanos requerentes de asilo para a Guatemala

Ministério das Relações Exteriores do México informou nesta segunda-feira, 6, que país se opõe à decisão

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 02h49

Mexicanos que procuram asilo nos Estados Unidos podem ser enviados para a Guatemala sob os parâmetros de um acordo bilateral assinado pela nação da América Cenrtal no ano passado, informam documentos enviados a agentes dos Estados Unidos nos últimos dias e obtidos pela agência Reuters. 

Em um e-mail enviado no dia 4 de janeiro, a equipe do escritório de campo dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) foi informada de que os cidadãos mexicanos serão incluídos nas populações "favoráveis" ao acordo com a Guatemala.

O acordo, mediado em julho passado entre a administração do presidente republicano Donald Trump e o governo guatemalteco, permite que as autoridades de imigração dos EUA enviem migrantes solicitando asilo na fronteira EUA-México para que busquem 'proteção' na Guatemala.

O México se opõe ao plano, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 6, acrescentando que trabalharia com as autoridades para encontrar "melhores opções" para aqueles que podem ser afetados.

Trump fez do combate à migração ilegal uma das principais prioridades de sua presidência e um tema importante de sua campanha de reeleição em 2020. Seu governo assinou acordos semelhantes com Honduras e El Salvador no ano passado.

Democratas dos Estados Unidos e grupos pró-migrantes se opuseram à ação e alegam que os requerentes de asilo enfrentarão perigo na Guatemala, onde a taxa de homicídios é cinco vezes maior que a dos Estados Unidos, segundo dados de 2017 compilados pelo Banco Mundial. O escritório de asilo do país é pequeno e tem poucos funcionários e os críticos argumentam que ele não tem capacidade para avaliar adequadamente um aumento significativo de casos.

O presidente eleito da Guatemala, Alejandro Giammattei, que assumirá o cargo este mês, disse que vai rever o acordo.

Alejandra Mena, porta-voz do instituto de imigração da Guatemala, disse que desde que o acordo foi implementado em novembro, os Estados Unidos enviaram 52 migrantes para o país.

Apenas seis pediram asilo na Guatemala, disse Mena. Na segunda-feira, outros 33 migrantes da América Central chegaram em um voo para a Cidade da Guatemala, disse ela. Menores não acompanhados não podem ser enviados para a Guatemala sob o acordo, que agora se aplica apenas a migrantes de Honduras, El Salvador e México, de acordo com os documentos de orientação.

Exceções são feitas se os migrantes puderem estabelecer que são mais propensos a serem perseguidos ou torturados na Guatemala com base em sua raça, religião, nacionalidade, participação em um grupo social específico ou opinião política.

O número de migrantes da América Central detidos na fronteira caiu drasticamente na segunda parte de 2019, depois que o México enviou tropas da Guarda Nacional para conter o fluxo, sob pressão de Trump.

No geral, espera-se que as detenções nas fronteiras caiam novamente em dezembro pelo sétimo mês consecutivo, disse um funcionário da Segurança Interna à Reuters na semana passada, citando dados preliminares.

O governo dos EUA diz que outra razão para a redução de passagens de fronteira é um programa separado, conhecido como Protocolos de Proteção aos Migrantes, que forçou mais de 56.000 imigrantes não mexicanos a esperar no México por suas audiências nos tribunais de imigração dos EUA.

Com menos centro-americanos na fronteira, a atenção dos EUA voltou-se para os mexicanos cruzando ilegalmente ou solicitando asilo. Cerca de 150.000 adultos solteiros mexicanos foram presos na fronteira no ano fiscal de 2019, em queda acentuada em relação às décadas anteriores, mas ainda o suficiente para incomodar os falcões de imigração dos EUA. /Reuters

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