EUA implementam sanções contra atrocidades no Sudão

O presidente dos EUA, George W. Bush, ordenou a adoção de sanções contra quatro homens acusados de atrocidades na região de Darfur, no Sudão, onde três anos de conflitos já deixaram mais de 180 mil mortos. Bush ordenou o bloqueio imediato de todos os bens e propriedades dos quatro acusados. A ordem também proíbe que cidadãos americanos realizem operações comerciais ou financeiras com eles. A ordem executiva implementou as sanções impostas na terça-feira pelo Conselho de Segurança da ONU sobre Gaffar Mahammed Elhassan, ex-comandante da Força Aérea Sudanesa; Sheikh Musa Hilal, um chefe da tribo Janjaweed; e os comandantes rebeldes Adam Yacub Shant, do Exército de Libertação do Sudão e Kareem Badri, do Movimento Nacional para Reforma e Desenvolvimento. Foi a primeira vez que o Conselho impôs sanções relacionadas ao caso desde a adoção de uma resolução em março de 2005 autorizando o congelamento dos bens e vetando as viagens dos indivíduos que desafiarem os esforços de paz, violarem os direitos humanos ou forem responsáveis por abusos militares em Darfur. O porta-voz da presidência americana, Scott McClellan, afirmou em um comunicado que Bush ordenou a medida pois "a persistência da violência na região de Darfur, em particular contra civis, representa uma ameaça extraordinária à segurança nacional e à política exterior dos Estados Unidos". "Os Estados Unidos continuarão colaborando com seus parceiros internacionais para apoiar a assistência humanitária, os direitos humanos e levar a paz a Darfur", acrescentou o porta-voz. A guerra em Darfur começou em fevereiro de 2003, quando grupos rebeldes da região oeste do Sudão pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da zona da fronteira com o Chade. Desde então, cerca de 180 mil pessoas morreram e alguns milhões foram forçados a deixar suas casas e abrigar-se em campos de refugiados no Sudão e no Chade, o que gerou um dos piores desastres humanitários dos últimos anos. A União Africana apresentou nesta quarta-feira um projeto de acordo de paz durante as negociações realizadas na cidade de Abuya para tentar por fim ao conflito.

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