Adi Weda / Efe
Adi Weda / Efe

EUA impõem novas sanções econômicas contra Rússia

Diplomata russo diz que ações de Washington marcam retorno às práticas da Guerra Fria

O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2014 | 06h40

(Atualizada às 16h30) WASHINGTON - Os Estados Unidos congelaram ativos e proibiram a obtenção de vistos para sete cidadãos russos próximos ao presidente Vladimir Putin nesta segunda-feira, 28, e impuseram sanções a 17 empresas ligadas a ele em represália pelas ações de Moscou na Ucrânia.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as medidas, que ampliam as ações tomadas quando a Rússia anexou a Crimeia, no mês passado, têm o objetivo de impedir Putin de fomentar a rebelião no leste ucraniano. Obama acrescentou que está guardando medidas mais amplas contra a economia da Rússia.

Entre os sancionados estão Igor Sechin, chefe da empresa de energia estatal Rosneft, e o vice-primeiro-ministro, Dmitry Kozak.

A União Europeia, que tem mais a perder do que Washington com as sanções contra a Rússia, um dos principais fornecedores de energia e parceiro comercial do bloco, também deve anunciar novas penalidades após governos dos países membros chegarem a um acordo preliminar, disseram diplomatas.

Os EUA vão negar licenças de exportação de todos os itens de alta tecnologia que possam contribuir para a capacidade militar russa e vão revogar as licenças de exportação existentes que atendam a essas condições, informou a Casa Branca.

Essa é a terceira rodada de sanções que Washington impõe aos russos. Todas as sanções tiveram como alvos pessoas e empresas. "O envolvimento da Rússia na recente onda de violência no leste da Ucrânia é indiscutível", disse um comunicado da Casa Branca.

Nas Filipinas, onde está em viagem, Obama afirmou: "O objetivo não é ir atrás de Putin pessoalmente. O objetivo é mudar os seus cálculos no que diz respeito à forma como as ações em curso, das quais ele está participando na Ucrânia, podem ter um impacto negativo sobre a economia russa no longo prazo."

As sanções não conseguiram deter Putin até o momento. Moscou insiste que uma rebelião entre russófonos do leste é uma resposta interna a um golpe e nega manter forças russas no território.

No leste da Ucrânia nesta segunda-feira, os separatistas pró-Rússia não deram sinais de abandonar a revolta, invadindo edifícios públicos em outra cidade, Kostyantynivka. O prefeito da cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia, foi baleado enquanto andava de bicicleta.

A Alemanha exigiu nesta segunda que a Rússia intervenha para garantir a libertação de sete monitores militares europeus desarmados, incluindo quatro alemães, que foram detidos pelos separatistas na sexta-feira 25.

Guerra Fria. A Rússia criticou a nova rodada de sanções dos EUA dizendo que as medidas são ilegítimas, não civilizadas e que as restrições de Washington às exportações de alta tecnologia da Rússia marcam um retorno às práticas da Guerra Fria.

"Nós condenamos firmemente a série de medidas anunciada na tentativa de colocar pressão com sanções sobre Moscou", disse o vice-chanceler Sergei Ryabkov. "Sanções extraterritoriais unilaterais são, por natureza, ilegítimas. Elas não apenas falham em corresponder às normas de interação civilizada entre Estados, elas contradizem as exigências do direito internacional."/ REUTERS

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