EUA impõem novas sanções para impedir apoio de aliados ao regime sírio

Conflito. Alvos de novas medidas são o governo iraniano e o movimento radical xiita Hezbollah, acusados pelo Departamento de Estado americano de fornecer auxílio logístico ao regime de Bashar Assad na repressão a manifestantes e combatentes rebeldes

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h09

O governo americano anunciou ontem a imposição de novas sanções à Síria e ao Hezbollah, movimento radical xiita libanês respaldado por Damasco. Com as punições, o governo de Barack Obama pretende coibir o auxílio dado pelo Irã e pelo grupo islâmico ao regime de Bashar Assad na repressão a civis e rebeldes. Os americanos esperam também que as punições incentivem países com negócios com os sírios a seguir o exemplo.

A estatal petroleira Sytrol foi punida por ter cedido US$ 36 milhões em gasolina ao Irã em abril. Em troca, segundo o governo americano, Teerã enviou suprimentos ao Exército sírio e a milícias controladas por Assad. "Essa ajuda foi utilizada para conduzir abusos de direitos humanos grosseiros contra o povo sírio", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell.

O Departamento do Tesouro dos EUA também impôs sanções ao Hezbollah. O grupo xiita foi acusado de treinar, auxiliar e dar apoio logístico ao regime sírio, também com ajuda do Irã. "O amplo apoio do Hezbollah ao governo sírio e sua violenta repressão expõem a verdadeira natureza dessa organização terrorista e sua presença desestabilizadora a região", disse o coordenador das sanções, David Cohen.

Para o chefe de contraterrorismo do Departamento de Estado, Daniel Benjamin, as sanções devem ser seguidas por outros países. "Isso reduziria a margem de manobra do Hezbollah", declarou.

De acordo com a diplomacia americana, as punições também fazem parte das sanções impostas ao Irã em razão do programa nuclear do país. "Os EUA continuam contrários à venda de petróleo refinado ao Irã e empregará todas as medias para impedir isso", afirmou Ventrell.

As medidas devem ter pequeno efeito prático, uma vez que empresas americanas não fazem negócios com o Hezbollah desde a década de 90. Desde o ano passado, Obama proibiu importações da Síria e congelou bens de membros do regime de Assad. O petróleo sírio perdeu a União Europeia, sua principal cliente, em razão de sanções também impostas em 2011.

Diplomacia. Os dois anúncios foram feitos às vésperas da visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, à Turquia, onde ela deve se reunir com representantes da oposição síria e líderes turcos. O foco do encontro será a formação de uma base operacional para guiar a transição após a saída de Assad do poder.

Hillary também deve anunciar um aumento de ajuda humanitária aos refugiados sírios no valor de US$ 5,5 milhões, o que levará o total doado pelos EUA desde o início da crise a US$ 82 milhões. Ontem, o chanceler britânico, William Hague, anunciou o envio de US$ 7,2 milhões em ajuda logística aos rebeldes sírios.

Segundo os rebeldes, a quantidade de munição e armas de que dispõem para defender suas posições em Alepo está no fim. "Os helicópteros e aviões de Assad estão nos matando", disse o ativista Mohamed al-Hassan". / AP e REUTERS

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