Janet Hamlin/AP
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EUA impõem pena de 14 anos de prisão a ex-cozinheiro de bin Laden

Sentença contra sudanês pode ser reduzida por causa de acordo; al-Qosi já está preso há 8 anos

AP,

11 de agosto de 2010 | 19h52

GUANTÁNAMO, CUBA- Um júri da base militar americana de Guantánamo recomendou uma pena de 14 anos de prisão ao sudanês Ibrahim Ahmed Mahmoud al-Qosi, ex-cozinheiro de Osama bin Laden. A decisão pode ser anulada por um acordo que reduza a sentença.

 

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No mês passado, Al-Qosi, de 50 anos, o quarto prisioneiro de Guantánamo a ser condenado se declarou culpado por dar apoio ao terrorismo.

 

O júri composto por dez oficiais militares não foi informado sobre a sentença limite prevista no acordo. Se ela for menor do que 14 anos, a sentença do júri só será aplicada se al-Qosi fizer algo para quebrar o trato, de acordo com um porta-voz de promotores militares.

 

Segundo oficiais, a sentença oficial de al-Qosi não será divulgada até ser revisada pelo Pentágono, o que pode levar várias semanas.

 

Ainda não foi esclarecido onde o sudanês cumprirá sua pena. A juíza Nancy Paul disse hoje que oficiais terão 60 dias para decidir isso. De acordo com Nancy, o preso não terá sua pena reduzida pelos oito anos e sete meses que já passou em confinamento.

 

Al-Qosi assinou uma declaração na qual admite ter seguido bin Laden após sua expulsão do Sudão em 1996 e continuou a trabalhar para ele no Afeganistão.

 

O condenado disse ter ficado sabendo que a Al-Qaeda era a responsável pelos atentados a bomba contra a embaixada dos Estados Unidos no leste da África em 1998 e pelo 11 de setembro, mas que não se envolveu no planejamento dos ataques.

 

Al-Qosi foi preso no Paquistão após fugir de um reduto da Al-Qaeda em Tora Bora, no Afeganistão, após a invasão dos Estados Unidos no país. Ele está entre os primeiros prisioneiros enviados a Guantánamo.

 

Robert McFadden, especialista sobre a Al-Qaeda e única testemunha de acusação na audiência desta quarta, afirmou que só os mais leais seguidores de bin Laden poderiam ficar tão próximos a ponto de se tornar cozinheiros ou motoristas.

 

Guantánamo

 

O presidente Barack Obama não cumpriu sua data limite imposta para fechar a prisão em janeiro de 2010, principalmente porque o Congresso bloqueou financiamentos para transferir prisioneiros para uma penitenciária nos Estados Unidos.

 

A prisão foi aberta em janeiro de 2002, para deter e interrogar estrangeiros capturados após a invasão das forças americanas no Afeganistão com o objetivo de expulsar a Al-Qaeda e seus protetores do Taleban. Desde então, cerca de 800 pessoas já estiveram presas no local.

 

Durante o governo de George W. Bush, muitos dos prisioneiros foram detidos fora do Afeganistão.

 

Até agora, só há um condenado em Guantánamo, Ali Hamza al-Bahlul, "chefe de imprensa" da Al-Qaeda, que cumpre prisão perpétua.

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