REUTERS/Marco Bello
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EUA impõem sanções a mineradora de ouro venezuelana

Presidente da Minerven também é alvo de sanções; com queda na produção do petróleo, Maduro estava apelando ao ouro para pagar despesas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 17h40

WASHINGTON - O Departamento do Tesouro anunciou nesta terça-feira sanções contra a companhia estatal mineradora da Venezuela Minerven e seu presidente, Adrian Antonio Perdomo Mata, "tendo como alvo as ilícitas operações de ouro que continuam a patrocinar o ilegal regime de Nicolás Maduro".

"O ilegítimo regime de Maduro está pilhando a riqueza da Venezuela e colocando em perigo o povo indígena ao invadir áreas de proteção, causando deflorestação e perda de habitat. O esquema de Maduro de usurpar a autoridade da Assembleia Nacional e tirar da Venezuela seus recursos naturais tem exposto as comunidades locais a toxinas perigosas", disse o secretário do Tesouro, Steven T. Mnuchin, em um comunicado.  

“O departamento tem como alvo a processadora de ouro Minerven e seu presidente por terem ligações muito próximas com o governo corrupto de Maduro. Perseguiremos insistentemente todos os envolvidos com o ilícito comércio de ouro de Maduro que está contribuindo para as crises financeira, humanitária e de meio ambiente", acrescentou a nota.

O anúncio foi feito dias após Uganda afirmar que estava investigando sua maior refinaria de ouro por importar o metal da Venezuela. Washington alertou a comerciantes que não negociassem ouro venezuelano ou petróleo.

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que invocou a Constituição para se autoproclamar presidente interino em janeiro, sob alegação de que a reeleição de Maduro não foi legítima, tentou impedir as vendas de ouro, argumentando que Maduro usa os recursos para tentar manter-se solvente.

Em fevereiro, um parlamentar da oposição e três fontes governamentais disseram que ao menos oito toneladas de ouro tinham sido removidas dos cofres do Banco Central da Venezuela, no sinal mais recente do desespero de Maduro para levantar recursos em meio a sanções cada vez mais duras contra o país.

Em 2018, 23 toneladas de ouro foram transportados da Venezuela para Istambul de avião, de acordo com fontes e dados do governo turco.

O banco central comprou parte deste ouro de rudimentares campos de mineração no sul da Venezuela e o exportou para a Turquia e outros países para financiar a compra de alimentos básicos, dada à ampla escassez de produtos, de acordo com mais de 30 pessoas com conhecimento da transação.

Cerca de 20 toneladas de ouro também foram retiradas dos cofres do banco central em 2018, de acordo com dados da instituição, deixando 140 toneladas restantes, o menor nível em 75 anos.

 

O governo Maduro tem tentado repatriar cerca de 31 toneladas de ouro armazenadas no banco central da Inglaterra por temores de que sejam afetadas por sanções internacionais contra o país.

Maduro tem recorrido à venda de ouro depois que a queda na produção de petróleo, o amplo colapso econômico do país e as crescentes sanções afetaram as finanças do país e tornaram mais difícil para que Caracas ter acesso a crédito. / REUTERS

 

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