AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

EUA impõem sanções ao Irã após teste com míssil balístico

A exemplo do que ocorreu com Obama, Trump pune indivíduos e empresas envolvidos em experimento proibido pela ONU

O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2017 | 13h48

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos impôs nesta sexta-feira, 3, sanções a 13 pessoas e 12 empresas envolvidas com o último teste balístico feito pelo Irã, na segunda-feira. As sanções foram publicadas pelo Departamento do Tesouro. As sanções têm como objetivo pressionar Teerã sem afetar diretamente  o acordo que interrompeu o programa nuclear do país em 2015.

Os alvos das sanções do Departamento do Tesouro incluem agentes, empresas e associados ao programa balístico iraniano. Empresas de tecnologia e indivíduos do Irã, China e Emirados Árabes estão entre os alvos punidos e agora estão proibidos de fazer negócios nos Estados Unidos, ou com empresas americanas. 

"O Irã continuou a apoiar o terrorismo e a desenvolver seu programa de mísseis balísticos, que são uma ameaça à região, a nós e a nossos aliados", disse John E. Smith, chefe interino de sanções do Departamento. "Continuaremos a usar todas as ferramentas disponíveis para combater esse departamento."

Na quarta-feira, o assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, disse que o Irã estava alertado do risco do teste e de apoiar rebeldes xiitas no Iêmen, além de assediar navios sauditas no Estreito de Ormuz. 

No começo da madrugada de hoje, Trump escreveu no Twitter: "O Irã está brincando com fogo: eles não apreciaram o quanto o presidente Obama foi 'gentil' com eles. Comigo, não!"

 

Uma autoridade norte-americana altamente graduada disse que as sanções desta sexta-feira são um "passo inicial" em reação ao "comportamento provocador" do Irã, insinuando que pode haver mais se o regime não contiver seu programa de mísseis balísticos e continuar a apoiar as milícias houthi no Iêmen.

Os EUA encaminharam um destróier da Marinha, o USS Cole, para as proximidades do Estreito de Bab al-Mandab, na costa do Iêmen, para proteger as rotas marítimas.

O Tesouro dos EUA, que listou os indivíduos e entidades afetados em seu site, disse que as sanções são "plenamente consistentes" com os compromissos dos EUA com o acordo nuclear firmado entre Teerã e seis grandes potências em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunta Abrangente (JCPOA, na sigla em inglês).

Apesar da retórica agressiva, sanções similares foram impostas em janeiro do no ano passado pelo governo Obama quando Teerã fez testes com mísseis balísticos.  Na ocasião, o departamento do Tesouro também proibiu  11 indivíduos de fazer negócios com os Estados Unidos em virtude de um teste com mísseis balísticos feito em outubro de 2015. Àquela altura, os dois países já tinham assinado o acordo nuclear. 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas proíbe experimentos do tipo. Trump também não deu sinais de que pretende rever o acordo nuclear assinado por Obama em 2015 com Teerã.

Reação. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou que a República Islâmica não se abalou com as ameaças dos Estados Unidos.  "Irã não se deixa perturbar por ameaças, já que obtemos segurança de nosso povo. Jamais iniciaremos uma guerra, mas só podemos confiar em nossos próprios meios de defesa", escreveu Zarif.

Zarif disse que seu país não pretende usar seu poderio militar contra nenhum país, a não ser em legítima defesa. "Jamais usaremos nossas armas contra ninguém, exceto em legítima defesa. Vamos ver se algum destes que reclamam podem fazer a mesma afirmação", acrescentou ele em sua conta no Twitter. / AP e REUTERS

 

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