Marcelo Garcia/Presidência da Venezuela/AFP Photo
Marcelo Garcia/Presidência da Venezuela/AFP Photo

EUA impõem sanções a parentes de Maduro

Filhos da primeira-dama e empresário colombiano estão envolvidos em irregularidades na importação de cestas básicas e venda de ouro

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 13h31
Atualizado 26 de julho de 2019 | 16h33

WASHINGTON - O governo dos EUA impôs nesta quinta-feira, 25, sanções a empresários acusados de corrupção na importação de cestas básicas e venda de ouro venezuelano. Entre os alvos estão enteados do presidente Nicolás Maduro e o empresário colombiano Alex Saab, apontado como o chefe do esquema.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Saab é responsável por uma vasta rede de corrupção que tem como base o programa de cestas básicas Carnê da Pátria (Clap). O programa oferece alimentos subsidiados mediante registro biométrico em bancos de dados eleitorais. Os enteados de Maduro foram identificados como Walter, Yosser e Yoswal Flores, conhecidos como “Los Chamos”, filhos da primeira-dama, Cilia Flores.

O esquema consistia, segundo autoridades americanas, em contratos superfaturados sem licitação. “Saab conspirou com membros do regime para construir uma rede de corrupção para explorar a fome dos venezuelanos”, afirmou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. “Estamos punindo essas pessoas e empresas que lucraram com o esquema.”

Saab começou a construir o esquema de importação de alimentos em 2016. Segundo o Departamento do Tesouro, ele entregava uma quantia ínfima do que era contratado. 

Os EUA acreditam que Saab pagou propinas aos enteados de Maduro para que eles o colocassem em contato com o próprio presidente e com o vice-presidente e ministro da Indústria da Venezuela, Tareck el Aissami, que foi incluído pelas autoridades americanas na lista de sanções, em fevereiro de 2017, por narcotráfico.

Em 2018, ainda de acordo com o governo americano, Saab começou a negociar ouro com representantes turcos e dos Emirados Árabes, para driblar a escassez de dólares provocada pela crise financeira.

Os alvos das sanções terão congelados todos os ativos ou bens imóveis que possam ter nos EUA e estão proibidos de fazer transações financeiras com qualquer cidadão ou empresas americanas. Como consequência, as pessoas incluídas na lista do Departamento do Tesouro americano terão dificuldade para ter acesso ao sistema financeiro internacional, que se baseia no dólar. 

Nesta quinta-feira, os EUA também impuseram sanções a 13 empresas, algumas delas de propriedade de Saab e de seus sócios, que a partir de agora também terão congelados seus ativos sob jurisdição americana. 

Interpol

Mnuchin afirmou ainda que Saab está “escondido” na Venezuela, mas afirmou que a Interpol já emitiu uma “circular azul”, destinada a localizá-lo, identificá-lo e obter informações para a abertura de uma investigação criminal. Para ele, as ações são “muito significativas” por atingirem um grupo mais próximo de Maduro. 

Segundo Caracas, o programa Clap ajuda mais de 6 milhões de pessoas, mas a Assembleia Nacional – Parlamento liderado pela oposição – alega que o plano provocou milionárias perdas patrimoniais em razão da corrupção e serve para direcionar o voto dos eleitores. / EFE, AFP e AP 

 

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