EFE/Prensa Mirfaflores
EFE/Prensa Mirfaflores

EUA impõem sanções financeiras a Maduro após Constituinte na Venezuela

Medida põe presidente da Venezuela em lista de líderes que já tem Kim Jong-un, Bashar Assad e Robert Mugabe; EUA ameaçam sancionar chavistas que participarem de Constituinte eleita domingo, processo descrito como fraude pelos opositores

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 16h32
Atualizado 31 Julho 2017 | 20h23

Depois de ameaçar impor sanções econômicas contra o setor de petróleo venezuelano, os EUA anunciaram nesta segunda-feira, 31, medidas que atingem o presidente Nicolás Maduro, chamado de “ditador” por autoridades americanas. Seu nome foi incluído na lista de pessoas sujeitas ao congelamento de bens em locais “sob jurisdição” americana.

Não se sabe se o líder venezuelano ou seus parentes possuem ativos em territórios ou bancos do país, o que pode transformar a penalidade em um gesto mais simbólico que prático. Com a medida, pessoas físicas e empresas americanas ficam proibidas de realizar qualquer transação com Maduro.

O venezuelano tornou-se o quarto chefe de Estado atualmente em exercício a ser alvo de sanções de Washington. Os demais são Robert Mugabe, do Zimbábue, Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e Bashar Assad, da Síria. “Maduro não é só um líder ruim. Ele é agora um ditador”, afirmou o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, H.R. McMaster, durante o anúncio das sanções. Segundo ele, a eleição de uma Assembleia Constituinte, no domingo, foi uma “farsa” que representou um “sério golpe” à democracia.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ressaltou que todos os 545 membros que participarão da Constituinte estarão sujeitos a sanções semelhantes. Uma fonte do governo americano disse ao Estado que a medida não afetará apenas eventuais bens que eles tenham nos EUA, mas também a habilidade de seus parentes obterem vistos de entrada no país.

Na semana passada, os EUA anunciaram medidas semelhantes contra 13 pessoas ligadas ao governo Maduro. Mnuchin afirmou que o governo Trump continuará a “monitorar” a situação na Venezuela. 

Manifestações. Opositores ao governo venezuelano voltaram hoje a fechar ruas de todo o país como forma de protesto contra a Constituinte, que afirmam ser fraudulenta. “A Assembleia Constituinte não resolverá nenhum dos problemas do país, só significa mais crise”, disse o líder da oposição Henrique Capriles em entrevista coletiva.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), 8.089.230 venezuelanos participaram da votação. A oposição não reconheceu o resultado e questionou os números oficiais, já que calculou que a participação foi de apenas 3 milhões.

O presidente do Parlamento, o opositor Julio Borges, considerou que a Venezuela amanheceu “mais dividida” e enfatizou que os dados de participação do CNE “não são críveis”. Deputados de oposição foram logo cedo para a Assembleia Nacional para proteger o prédio diante da possibilidade de que seja tomado para a instalação da Constituinte, marcada para quarta-feira.

A Constituinte terá poderes ilimitados para redigir uma nova Carta Magna e reformar as instituições. Maduro comemorou a eleição do grupo, que deve dar amplos poderes ao governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e zombou das críticas dos EUA.

Ele também advertiu que serão tomadas medidas contra o Parlamento – de maioria opositora –, a Procuradoria-Geral, os líderes da oposição e os meios de comunicação privados.

Os críticos de Maduro caracterizaram a eleição como uma tomada de poder truculenta com o intuito de mantê-lo no comando, apesar do repúdio despertado por uma crise econômica que está provocando desnutrição e tornando difícil para os cidadãos obterem produtos básicos no país de cerca de 30 milhões de habitantes.

O presidente ainda desafiou os opositores da MUD a concorrerem nas eleições regionais previstas para o fim do ano, e condicionou a oferta a um novo processo de diálogo político.

“Faço um desafio à MUD: abandonem o caminho da violência, voltem à política, aceitem o desafio e vamos concorrer aos governos para ver quem pode mais”, disse Maduro. “Se não se sentarem à mesa da Comissão da Verdade e da Justiça, outro galo cantará.” A Comissão da Verdade e da Justiça será instalada após a inauguração da Constituinte. O presidente propôs como chefe da comissão a ex-chanceler Delcy Rodríguez, eleita para a Constituinte .

Maduro prometeu ainda que a nova Assembleia vai “reestruturar” rapidamente a Procuradoria-Geral. A atual procuradora-geral, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, criticou duramente a convocação da Constituinte sem a realização de um referendo. Ortega também condenou a violenta repressão aos protestos e abriu investigações por corrupção contra vários membros do governo.

Hoje, Ortega disse que não reconhece a Constituinte e confirmou que 10 pessoas morreram durante a eleição, elevando a 121 o número de mortos relacionados aos protestos iniciados em 1.º de abril. Ela disse que nesse período, 1.958 pessoas ficaram feridas. / COM EFE, AFP e REUTERS

 


 

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