EUA indicam poucas mudanças na estratégia afegã

Ao lado de Medvedev, Obama diz que retirada imediata de tropas do país pode não ocorrer dentro do prazo previsto

, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

WASHINGTON

Um dia depois da demissão do general Stanley McChrystal do comando das forças americanas no Afeganistão, a Casa Branca emitiu ontem um sinal de que a atual estratégia no país sofrerá poucas mudanças. Ao lado do presidente russo, Dmitri Medvedev, o presidente Barack Obama declarou que não vislumbra a retirada imediata das tropas do Afeganistão em julho de 2011, como está previsto, e uma revisão da estratégia deverá ser feita em dezembro.

"Nós não dissemos que vamos apagar as luzes e fechar a porta atrás de nós (nessa data). Nós dissemos que começamos uma fase de transição que poderia permitir ao governo afegão assumir mais e mais responsabilidades", afirmou Obama. Ele insistiu que escolheu o general David Petraeus para substituir McChrystal por seu profundo entendimento da estratégia em vigor e a sua familiaridade com o Afeganistão. Petraeus liderou a estratégia americana no Iraque e chefiava a divisão do Comando Central das Forças Armadas responsável pelos conflitos no Afeganistão e no Iraque.

O presidente americano acentuou ainda que não fará mais nenhuma mudança na equipe responsável pelo conflito no Afeganistão. Minutos antes, o secretário de Estado, Robert Gates, reconheceu que o novo comandante terá flexibilidade para apresentar mudanças a Obama. O almirante Mike Mullen, chefe das Forças Armadas e principal consultor militar do presidente, também reconheceu que Petraeus poderá mudar o que for necessário e apropriado.

A insubordinação de McChrystal trouxe à tona as dificuldades da ofensiva americana contra o Taleban no Afeganistão. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger assinalou ontem, em artigo no jornal The Washington Post, que a premissa e os prazos definidos na estratégia não são realistas. / D. C. M.

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