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EUA indiciam espiões russos por ciberespionagem contra 500 milhões de contas do Yahoo

Essa é a primeira acusação formal americana contra autoridades russas por crime cibernético

Cláudia Trevisan / CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2017 | 14h31
Atualizado 15 de março de 2017 | 19h46

WASHINGTON -  Os Estados Unidos acusaram ontem dois funcionários do serviço de inteligência da Rússia de serem responsáveis pelo ataque cibernético que comprometeu dados de 500 milhões de usuários do Yahoo! em 2014. Investigação do Departamento de Justiça concluiu que eles agiram na condição de espiões de Moscou e não em consequência de uma iniciativa pessoal.

"Não há passe-livre para comportamento criminal patrocinado por um Estado estrangeiro", disse a procuradora Mary McCord, responsável pela área de Segurança Nacional do Departamento de Justiça. O indiciamento sustenta que dois agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB, que substituiu a KGB), contrataram os serviços de dois hackers para conduzir a operação. 

Um deles, Karim Baratov, foi preso na terça-feira no Canadá a pedido de autoridades americanas. O outro, Alexsey Belan, vive na Rússia e está na lista de criminosos cibernéticos mais procurados do FBI. Antes do caso do Yahoo!, ele havia sido acusado por outros dois ataques contra empresas americanas. 

Os EUA ofereceu ontem recompensa de US$ 100 mil por informações que levem à sua prisão. Nas investigações anteriores, autoridades americanas solicitaram às russas que entregassem Belan, para que ele fosse processado nos EUA, mas não obtiveram resposta, disse o diretor-assistente do FBI, Paul Abbate.

Segundo McCord, o ataque contra o Yahoo! levou a uma das maiores violações de dados digitais da história dos EUA. A ação produziu dados valiosos de inteligência, com a invasão de contas de autoridades governamentais, entre os quais diplomatas e militares, afirmou. Mas os ataques também permitiram que os hackers obtivessem ganhos financeiros, graças ao roubo de informações de milhões de usuários do Yahoo! dentro e fora dos EUA, sustenta a acusação.

Os dois espiões russos indiciados pelo Departamento de Justiça trabalham na unidade do Serviço Federal de Segurança que é o ponto de contato do FBI no país para assuntos relacionados a crimes cibernéticos. "O envolvimento e a direção de oficiais do FSB responsáveis pela aplicação da lei torna essa conduta muito mais ultrajante", declarou McCord.   

Serviços de inteligência dos EUA concluíram no início do ano que a Rússia estava por trás da interceptação de e-mails de dirigentes do Partido Democrata e de assessores de Hillary Clinton durante a campanha presidencial de 2016. A suspeita é que agentes do país foram a fonte de mensagens divulgadas pelo WikiLeaks ao longo da disputa, em uma ação que beneficiou a candidatura de Donald Trump.

McCord evitou ontem fazer relação entre os dois casos e afirmou que a possível interferência da Rússia nas eleições americanas é objeto de uma investigação separada. 

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