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REUTERS/Denis Balibouse
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EUA indiciam parentes de Maduro por tráfico; pena pode chegar a perpétua

Denúncia apresentada ontem por procurador afirma que sobrinhos da primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, pretendiam levar 800 kg de cocaína para território americano

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 20h39

Presos no Haiti e levados para Nova York, dois sobrinhos da primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, foram acusados nesta quinta-feira de conspirar para enviar cocaína aos EUA, um crime que tem como pena máxima a prisão perpétua, de acordo com o escritório do procurador federal responsável pelo caso.

Efraín Antonio Campos Flores e Franqui Francisco Flores de Freitas foram detidos em Porto Príncipe na terça-feira, em ação coordenada da agência de combate ao tráfico de drogas dos EUA e a polícia haitiana.

A denúncia sustenta que os detidos participaram de encontros na Venezuela em outubro para tratar do envio de cocaína para os EUA passando por Honduras.

Segundo o jornal Wall Street Journal, eles entraram em contato com um informante americano para discutir o transporte de 800 kg da droga aos EUA. Em um encontro subsequente na Venezuela, eles levaram ao informante 1 kg de cocaína para demonstrar sua qualidade. As discussões foram gravadas e filmadas, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal americano.

Os dois viajaram ao Haiti em um jato particular e tinham passaportes diplomáticos. O avião, segundo informações divulgadas ontem pelo jornal venezuelano El Nacional, seria de propriedade de um empresário que já manteve contratos com o governo venezuelano na área de coleta de lixo. 

Os detidos foram entregues pela polícia do Haiti a representantes da agência de combate às drogas dos EUA, a DEA. Ainda segundo o jornal americano, Flores se identificou como enteado do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no avião da DEA que o levou aos EUA.

Diplomacia. A operação deve tornar ainda mais tensas as relações entre Washington e Caracas, a menos de um mês das eleições legislativas venezuelanas. Mas a natureza das acusações deve limitar o espaço de Maduro para incluir as prisões em seu discurso antiamericano, avaliam analistas ouvidos pelo Estado. Na opinião deles, é improvável que o chavismo use a ação para tentar adiar o pleito, marcado para o dia 6.

Ex-embaixador americano na Venezuela, o professor da Duke University Patrick Duddy observou que as relações bilaterais já são difíceis, mas ressaltou que as prisões no Haiti resultaram da iniciativa de investigadores que agem de maneira independente do Executivo. “Há uma grande preocupação no hemisfério, e em especial nos países do Caribe, em relação ao tráfico de drogas”, afirmou, ressaltando que a operação foi realizada de maneira coordenada com a polícia haitiana.

Harold Trinkunas, diretor de América Latina do Brookings Institution, também enfatizou a natureza judicial – e não política – da decisão que levou às prisões. Em sua opinião, o caso fortalece as suspeitas de que a Venezuela é usada como base de transporte de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. “O procurador de Nova York responsável pela denúncia é extremamente sério”, afirmou.

A investigação é comandada por Preet Bharara, que iniciou casos contra quase 100 executivos de Wall Street após a crise de 2008 e obteve prisões de suspeitos de terrorismo e tráfico de drogas e armas em 25 países.

Presidente do Diálogo Interamericano, Michael Shifter também acredita que as prisões reforçarão as suspeitas de que a Venezuela é usada como base para o tráfico de drogas.

Em genebra, o presidente venezuelano não tomou a iniciativa de comentar diretamente o episódio, mas afirmou que “a nação seguirá seu curso” quando questionado por jornalistas sobre a prisão dos sobrinhos de sua mulher. “Nem ataques nem emboscadas imperialistas podem afetar o povo dos libertadores.” / COLABOROU JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE EM GENEBRA

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