U.S Department of Defence - Reuters
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Coreia do Sul recebe escudo antimíssil dos EUA

Em reunião com senadores, Casa Branca diz que estuda impor novas sanções a Pyongyang, enquanto instala sistema de defesa na região

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 04h35
Atualizado 26 Abril 2017 | 21h46

WASHINGTON - Os Estados Unidos pretendem pressionar a Coreia do Norte a desmantelar seu programa nuclear por meio de sanções econômicas mais duras. No entanto também estão abertos à negociação para obter esse objetivo e contam com a ajuda de aliados na ONU, disse nesta quarta-feira o Departamento de Defesa dos EUA em um comunicado. O país começou a instalar um escudo antimísseis na Coreia do Sul e realizou novos exercícios militares na região.

O anúncio de novas sanções foi feito após uma reunião de mais de uma hora entre senadores, o secretário da Defesa, Jim Mattis, o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats. O presidente Donald Trump participou apenas dos primeiros minutos da reunião, onde foram discutidas as opções econômicas e militares para pressionar o regime de Pyongyang. As políticas apresentadas nesta quarta-feira são similares às adotadas durante o governo de Barack Obama.

 

Ainda nesta quarta-feira, militares dos EUA começaram ontem a posicionar partes de um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul, desencadeando protestos de moradores de vilarejos e críticas da China, em meio a tensões sobre o desenvolvimento de armas da Coreia do Norte.

As forças americanas na Coreia do Sul não emitiram nenhum comunicado sobre a operação, mas um porta-voz do Ministério de Defesa sul-coreano confirmou que a instalação começou perto da cidade de Seongju, no centro do país.

Vários caminhões descarregaram de madrugada na região escolhida para a instalação do Sistema de Defesa Terminal de Área a Grande Altitude (Thaad, na sigla em inglês) diferentes equipamentos que compõem o escudo.

Projetado para abater mísseis em altitudes elevadas, uma bateria do Thaad inclui seis lançadores de autopropulsão (cada um com 50 mísseis interceptadores) e uma unidade de controle de lançamento e comunicações conectadas a um potente sistema de radar de longo alcance.

“A Coreia do Sul e os EUA vêm trabalhando para obter uma capacidade operacional antecipada do sistema Thaad em resposta ao avanço da ameaça nuclear e de mísseis da Coreia do Norte”, disse o ministério da Defesa em comunicado. A bateria deve estar habilitada até o final do ano.

Centenas de cidadãos da região protestaram e tiveram de ser retirados pela polícia, permitindo a entrada dos caminhões, segundo informações da agência de notícias Yonhap. Muitos dos moradores de Seongju, região agrícola famosa pelo cultivo de melões, estão preocupados com a possibilidade de que a área se transforme em alvo de ataques norte-coreanos e também pelos efeitos que os potentes radares do Thaad tenham sobre sua saúde e plantações.

Outros acreditam que a instalação deve ser adiada para depois das eleições presidenciais do dia 9, já que alguns candidatos, incluído o favorito, o liberal Moon Jae-in, acreditam que a decisão de instalar o escudo deve ser revista pelo Executivo após as eleições. 

Mas a China diz que o radar avançado do sistema pode penetrar fundo em seu território e minar sua segurança, ao mesmo tempo em que fará pouco para conter o Norte, e se opõe a ele de maneira inflexível.

"A China exorta com firmeza os Estados Unidos e a Coreia do Sul a interromperem ações que agravam as tensões regionais e prejudicam os interesses de segurança estratégicos da China e a cancelarem a instalação do sistema Thaad e a retirar o equipamento", disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Geng Shuang.

"A China adotará resolutamente os passos necessários para defender seus interesses", afirmou Geng, sem dar detalhes. Pequim é o único grande aliado da Coreia do Norte e é visto como crucial para os esforços liderados por Washington para refrear seu vizinho beligerante e isolado. / EFE e REUTERS

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