EUA iniciam ataque contra o terror bombardeando o Afeganistão

Vinte e seis dias depois de sofrer um devastador ataque contra os principais símbolos do imenso poder econômico e militar ? o primeiro contra o território continental em quase 200 anos -, e após intensos preparativos militares e diplomáticos, os Estados Unidos desencadearam neste domingo a resposta militar com uma noite de bombardeio maciço contra instalações da rede terrorista Al Queda no Afeganistão. Washington considera a Al Queda e seu líder, o saudita Osma bin Laden, responsáveis pelos atentatos contra o World Trade Center e o Pentágono, e contra posições de defesa anti-aérea e de comando e controle do Taleban, o partido de fanáticos religiosos que domina o Afeganistão. Explosões As primeira explosões foram ouvidas às 9 horas da noite (1 da tarde em Brasília) em Cabul, a capital do Afeganistão, e Kandahar, cidade mais ao sul que é a principal base política do mulá Mohamed Omar, o líder do Taleban. De acordo com declarações de um funcionário afegão à rede de televisão a cabo Al-Jazeera, sediada no emirado de Catar, Omar e Bin Laden sobreviveram à primeira onda do ataque. Operação contínua Na primeira entrevista depois do ataque, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse que era ?muito cedo? para avaliar o sucesso da missão, que classificou de uma operação ?contínua?. Rumsfeld informou que 37.500 rações alimentícias seriam jogadas de dois aviões, no primeiro dia, para refugiados afegãos que deixaram suas cidades nas últimas semanas e iniciaram longas marchas pelas montanhas do país rumo aos países vizinhos. Bin Laden na TV Em declarações feitas numa entrevista à Al-Jazeera, que aparentemente foi gravada antes do ataque americano mas transmitidas depois de ele ter começado, Bin Laden, vestindo um uniforme militar e com um turbante afegão na cabeça, prometeu responder. ?Eu juro por Deus que a America não viverá em paz enquanto a paz não reinar na Palestina?, disse ele, numa mensagem claramente calculada para angariar simpatia no mundo árabe e islâmicos. Nova York e Washington, que perderam sete mil pessoas no ataques de 11 de setembro, e a maioria das cidades norte-americanas entraram em estado avançado de alerta neste domingo, com esquadrões policiais de detecção de bombas, pessoal dos serviços de socorro e defesa civil, especialistas na identificação de ataques químicos e biológicos mobilizados para responder a emergências. Unidades das guardas nacionais dos 50 estados reforçam a segurança dos aeroportos, reservatórios de água e usinas nucleares. Números O ataque inicial de hoje foi efetuado por 15 bombardeios B-1, B-2 e B-52 baseados nos EUA e na base de Diego Garcia, no Oceano Índico, 25 aviões de ataques que decolaram de dois porta-aviões norte-americanos no Golfo Pérsico e 50 mísseis lançados por submarinos e navios norte-americanos e ingleses. Participaram, diretamente ou indiretamente, cerca de 46 mil soldados embarcados nas frotas norte-americana e britânica e estacionados nos EUA. Rumsfeld, que se comprometeu publicamente a não mentir aos jornalistas, confirmou a presença de unidades de comando no Afeganistão hesitando e finalmente recusando-se a responder perguntas a respeito. Liberdade Duradoura O presidente George W. Bush confirmou o início da operação, batizada de ?Liberdade Duradoura?, menos de uma hora depois de as primeiras bombas caírem no Afeganistão. Falando ao país da ?Sala dos Tratados? da Casa Branca, ele disse que havia ordenado ?ações com alvos? contra posições militares do Taleban e da organização controlada de Bin Laden como um ato de legítima defesa ? ?uma missão que nós não pedimos para ter, mas que cumpriremos? - depois de dar amplas oportunidades ao governo do Afeganistão para evitar uma resposta militar norte-americana aos ataques de 11 de setembro. ?Mais de duas semanas atrás eu apresentei aos líderes do Taleban uma série de demandas claras e específicas: fechem os campos de treinamento de terroristas, entreguem os líderes da Al Queda, libertem todos os estrangeiros, incluindo cidadãos americanos injustamente detidos no seu país?, disse Bush. ?Nenhum dessas demandas foi atendida e, agora, o Taleban pagará o preço?. Blair O primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, que falou pouco depois em Londres, reforçou o mesmo argumento, dizendo que, diante da escolha entre a justiça e o terror, ?o Taleban escolheu o terror?. Na manhã deste domingo, quando os aviões já estavam a caminho dos alvos, Washington recusou uma derradeira oferta de negociação do Taleban envolvendo oito missionários estrangeiros, entre os quais dois norte-americanos, presos em Cabul sob a acusação de querer converter muçulmanos ao cristianismo. Bush e Blair enfatizaram que a guerra em curso não é contra as mais de 1 bilhão de pessoas que professam o islamismo nem contra o povo do Afeganistão, mas contra uma organização terrorista estrangeira e um regime que oprime os afegãos. 40 países apóiam ?Mais de quarenta países do Oriente Médio, África e Europa e vários, na Ásia, nós deram direito de uso de seu espaço aéreo e de pouso, muitos compartilharam inteligência?, disse Bush. ?Somos apoiados pela vontade coletiva do mundo?. O líder norte-americano informou, também, que quatro ?amigos próximos dos EUA, Canadá, Austrália, Alemanha e França, prometeram forças? para as próximas etapas da operação militar. Ausentes da lista estavam os países árabes e islâmicos que apóiam o discurso de Bush. O presidente norte-americano forneceu o roteiro da ofensiva militar que, segundo disse, será prolongada, exigirá paciência e é apenas uma das frente ?numa guerra já iniciada contra o terrorismo através da diplomacia, dos serviços de inteligência, do congelamento de ativos financeiros e da prisão de conhecidos terroristas por agentes da lei em 38 países?. Tropas terrestres Ele sinalizou aos norte-americanos que a ofensiva envolverá tropas terrestres, mais provavelmente de unidades de comandos, que serão lançados contra as forças de Bin Laden e do Taleban depois que elas forem enfraquecidas e isoladas pelos bombardeios aéreos. ?Destruindo suas bases e suas comunicações, nós tornaremos mais difícil para a rede do terror treinar novos recrutas e coordenar seus planos maldosos?, afirmou. ?Inicialmente, os terroristas talvez se esconderão mais fundo em suas cavernas e outros lugares onde se escondem, mas nossa ação militar foi desenhada para limpar o caminho para operações sustentadas, abrangentes e implacáveis para força-los a sair e levá-los à Justiça?. Próximo alvo Bush evitou definir o próximo alvo, mas renovou a advertência que fez no discurso que pronunciou diante do Congresso norte-americano, nove dias depois dos ataques nos EUA, quando disse que os países do mundo teriam que escolher entre apoiam a guerra contra o terrorismo ou apoiar os terroristas e sofrer as consequências. ?Hoje, focalizamos o Afeganistão, mas a batalha é mais ampla?, disse . ?Cada nação tem uma escolha a fazer neste conflito, não há terreno neutro; se qualquer governo patrocinar os fora da lei e os assassinos de inocentes, eles se tornarão fora da lei e assassinos e terão que assumir por sua conta o risco de seu caminho solitário?. Antes das bombas começarem a cair no Afeganistão, Bush e o secretário de Estado, Colin Powell, chamaram vários líderes mundiais para informá-los sobre o ataque. Powell notificou líderes do Congresso e ordenou às embaixadas dos EUA ao redor do mundo para tomar medidas extraordinárias de precaução. Oração Respaldado pelo apoio de mais de 80% dos norte-americanos, que vinham pedindo uma ação punitiva contra os responsáveis pelos ataques de 11 de setembro, Bush disse que ordenou a ação contra o Taleban e Bin Laden ?somente depois de cuidadosas considerações e muita oração?. Mas disse que não tem dúvida sobre o desfecho final. ?Estou seguro de que não falharemos?, disse Bush. ?A todos os homens e mulheres de nossas forças armadas, eu digo: sua missão está definida, seus objetivos estão claros, sua causa é justa; vocês têm minha plena confiança e terão todas as ferramentas necessárias para cumprir seu dever?. Leia o especial

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