EUA iniciam julgamento de último ocidental em Guantánamo

Canadense Omar Khadr tinha apenas 15 anos quando foi capturado no Afeganistão, em 2002.

BBC Brasil, BBC

10 de agosto de 2010 | 13h24

Uma corte militar americana iniciou nesta terça-feira o julgamento do último ocidental mantido preso pelos Estados Unidos no centro de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba.

O canadense Omar Khadr, que tinha 15 anos quando foi capturado pelas forças militares americanas no Afeganistão, em 2002, é também o mais jovem preso em Guantánamo.

Este é o primeiro julgamento no local desde a posse do presidente Barack Obama, em janeiro de 2009. O presidente não cumpriu a promessa de campanha de fechar o campo de detenção instalado na base americana em Cuba até janeiro deste ano.

A enviada especial da ONU para crianças em conflitos armados, Radhika Coomaraswamy, afirmou que o julgamento de Khadr tem legalidade questionável e pediu que os Estados Unidos não prossigam com o processo.

Tortura

Khadr, nascido em Toronto, nega a acusação de ter matado um sargento americano e alega que assinou uma confissão do crime após ter sido torturado.

Na segunda-feira, um juiz militar americano determinou que a confissão poderá ser usada durante o julgamento.

O advogado de defesa de Khan, o coronel americano Jon Jackson, havia argumentado que a confissão foi obtida por meio de tratamento desumano, incluindo ameaças diretas de abuso sexual e morte.

Porém os promotores do caso dizem que, segundo agentes de inteligência do FBI e da Marinha americana, Khadr teria feito as declarações de livre e espontânea vontade.

Acusações

Khadr, hoje com 23 anos, se declarou inocente das acusações que incluem assassinato, conspiração e apoio ao terrorismo. Ele pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado.

O Canadá se negou a intervir no caso, apesar de um parecer emitido pela Suprema Corte do país de que os direitos de Khadr foram violados quando agentes canadenses o interrogaram na base de Guantánamo.

A promessa de Obama de fechar o centro de detenção em Cuba não foi cumprida por conta de uma série de disputas judiciais e políticas.

Mais de 170 homens ainda estão presos em Guantánamo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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