EUA insistem em desarmar norte-coreanos

Secretário de Estado americano afirma que Washington não aceita Coreia do Norte nuclear

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2013 | 02h02

Os EUA não aceitarão uma Coreia do Norte nuclear, advertiu ontem o chefe da diplomacia americana, John Kerry. Ao lado do ministro sul-coreano de Relações Exteriores, Yun Byung-se, Kerry alertou Pyongyang para que não execute sua nova ameaça de reativar uma instalação nuclear e retome as negociações sobre desarmamento atômico.

Yun afirmou que seu país está pronto para negociar um processo de paz se a Coreia do Norte "desistir de suas ambições nucleares".

Depois de encontro com Yun no Departamento de Estado, Kerry disse a jornalistas que as atitudes do regime norte-coreano são "provocativas, perigosas e imprudentes". "A questão central é simples: os EUA não aceitam a Coreia do Norte como um Estado nuclear", disse, para em seguida incluir o Irã nessa mesma categoria inaceitável. "Faremos o que for necessário para nos defender e aos nossos aliados."

A Casa Branca tratou de não engrossar argumentos de que a Coreia do Sul possa responder com violência às provocações do Norte. Mas acatou o conselho do secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon (mais informações nesta página), para manter os ânimos mais calmos. O porta-voz da presidência americana, Jay Carney, insistiu que os EUA vão continuar a trabalhar com Seul e Tóquio e outros dois "aliados" - a China e a Rússia - para convencer a Coreia do Norte a acatar suas obrigações internacionais, negociar o fim de seu programa nuclear militar e um acordo definitivo de paz com o Sul.

Para Carney, o regime de Kim está apenas repetindo um "padrão de comportamento conhecido". "Nós estamos julgando o regime por suas ações e também por sua retórica. Não se trata de algo pessoal (em relação a Kim Jong-un)", afirmou.

"Nós vimos esse padrão muito antes do atual líder da Coreia do Norte (chegar ao poder no país). Avaliações sobre o atual líder são feitas por especialistas de dentro e de fora, mas a política tem como base a ação", completou.

O Pentágono, por seu lado, insistiu para que o deslocamento de navios de guerra americanos ao Mar do Japão/Mar da Coreia não seja vinculado às tensões provocadas por Pyongyang. Segundo o secretário de imprensa do Departamento da Defesa, George Little, os Estados Unidos promovem movimentos regulares de seus navios na região da Ásia-Pacífico, para diferentes propósitos.

"Eu seria muito cuidadoso em vincular esses movimentos com as recentes tensões na Península Coreana", afirmou Little. "Achamos que as coisas podem se acalmar na Península Coreana. Pelo menos, assim esperamos. Naturalmente, estamos preparados para qualquer contingência."

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