EUA insistem na extradição de chefe paramilitar colombiano

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, assegurou que seu país insistirá em conseguir a extradição do chefe paramilitar Carlos Castaño por acusações de narcotráfico, apesar do cessar-fogo decretado pelos paramilitares de direita reunidos nas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). "Cabe ao presidente (Alvaro) Uribe decidir com quem deseja ter contato. Mas este líder (Castaño) continua sendo acusado pela Justiça americana. E as AUC continuarão sendo uma organização terrorista até demonstrarem que já não o são", disse Powell em uma entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal El Tiempo.Embora tenha admitido que "é estimulante ouvir um anúncio de cessar-fogo", Powell advertiu que ainda é preciso ver se trata-se de um cessar-fogo verdadeiro ou se conduz a um processo que culmine com o fim das dificuldades, como propõem as AUC. ?Quero saber o que Uribe pensa sobre isso", afirmou.A Justiça americana pediu à Colômbia no final de setembro a extradição dos comandantes paramilitares Castaño e Salvatore Mancuso por envolvimento de ambos no envio de carregamentos de cocaína para os EUA. Em recentes declarações à Associated Press, Mancuso reconheceu que esta pressão de Washington acelerou a busca de diálogos com o governo. "A vontade de negocicar e contribuir para a paz existia, mas o temor de que todo um movimento antiguerrilheiro fosse estigmatizado com o narcotráfico fez com que se apressasse o processo", disse Mancuso.Powell, que fará uma visita de menos de 24 horas à Colômbia, insistiu que o cessar-fogo decretado pelas AUC a partir de domingo "não as retira da lista de organizações terroristas" do Departamento de Estado. Em seu ponto de vista, isto dependerá de um longo processo no qual o governo colombiano deve determinar se as autodefesas poderão reintegrar-se na vida civil.O embaixador da Colômbia em Washington, Luis Alberto Moreno, assegurou em Bogotá que essa lista de organizações terroristas é flexível e que os grupos que demonstrarem disposição para a paz podem sair dela. No entanto, em depoimento hoje à rádio Caracol, Moreno disse que "ainda falta muito caminho a percorrer", e que por enquanto há "apenas um anúncio feito pelas AUC".Durante sua visita, Powell também planeja analisar com Uribe os diferentes aspectos da guerra antidrogas financiada pelos EUA no país sul-americano, com a entrega de mais de US$ 1,7 bilhão nos últimos dois anos. Graças a uma recente autorização do governo do presidente George W. Bush, os recursos militares doados no âmbito do Plano Colômbia poderão agora ser utilizados para combater as guerrilhas esquerdistas e os paramilitares de direita.Também a cooperação militar será aprofundada quando, a partir janeiro de 2003, instrutores americanos começarem a treinar tropas locais na proteção de oleodutos. Uribe, por sua vez, anunciou que buscará reiniciar o programa de interceptação de aeronaves do narcotráfico, suspenso há mais de um ano e meio. Graças a este plano, os americanos passam informações sobre aviões suspeitos a unidades aéreas da Colômbia e do Peru, que decidem sobre seu controle ou destruição.Outro tema da visita será a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, assumida pela Colômbia no domingo, no momento em que os inspetores de armas da ONU percorrem o Iraque.

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