EUA intensificam segurança com relatório sobre CIA

Embaixadas americanas, unidades militares e outros locais estratégicos se preparam para possíveis ameaças de segurança

O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2014 | 10h01

WASHINGTON - Embaixadas americanas, unidades militares e outros interesses dos Estados Unidos se preparam para possíveis ameaças de segurança relacionadas à publicação de uma relatório sobre técnicas de interrogatório cruéis usadas em instalações secretas no exterior, após os ataques terroristas de 11 de Setembro.

O documento, produzido pelo Comitê de Inteligência do Senado, é a primeira prestação de contas pública a respeito do uso, pela CIA, de técnicas que críticos consideram como tortura contra prisioneiros mantidos em instalações secretas na Europa e na Ásia. A expectativa é que o comitê divulgue nesta terça-feira,9, um resumo de 480 páginas do relatório de mais de 6 mil páginas reunidas pelos democratas que integram o painel.

"Há alguns indícios de que a divulgação do relatório pode levar a um risco maior para instalações e cidadãos norte-americanos em todo o mundo", disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, na segunda-feira. "O governo adotou medidas prudentes para garantir que precauções de segurança devidas foram tomadas em instalações dos Estados Unidos em todo o mundo."

O coronel do Exército Steve Warren, porta-voz do Pentágono, disse que "há certamente a possibilidade de que a divulgação do relatório possa causar tumultos" e, portanto, comandos combatentes foram instruídos a adotar medidas de proteção.

Autoridades americanas que leram o documento disseram que ele traz detalhes perturbadores sobre o uso, pela CIA, de técnicas como privação de sono, confinamento em pequenos espaços, humilhação e afogamento simulado. O relatório alega que esse tipo de interrogatório fracassou em relevar informações de inteligência importantes e que pudessem salvar vidas, conclusão contestada ex e atuais oficiais de inteligência, dentre eles o diretor da CIA, John Brennan.

O documento também avalia que a CIA mentiu sobre o programa secreto para autoridades da Casa Branca, do Departamento de Justiça e para comitês de supervisão do Congresso. O presidente Barack Obama disse "nós torturamos algumas pessoas".

Earnest disse que, independentemente de se foram obtidas informações importantes por meio dos interrogatórios, "o presidente acredita que o uso dessas táticas foi injustificável, que são inconsistentes com nossos valores e não nos deixou mais seguros".

Embora a Casa Branca diga que saúda a divulgação do resumo, autoridades afirmam que se preocupam com as ameaças de segurança que podem surgir. / AP

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