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EUA investigam suposto esquema de corrupção na ONU

Segundo o jornal 'The Wall Street Journal', funcionários de alto escalão teriam recebido propina de empresários chineses vinculada ao desenvolvimento do setor imobiliário em Macau, na China

O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 11h22

WASHINGTON - A Justiça dos Estados Unidos está investigando a possível existência de um esquema de corrupção nas Nações Unidas, em que funcionários do alto escalão teriam recebido propina de empresários chineses, publicou nesta terça-feira, 6, o The Wall Street Journal.

Segundo o jornal nova-iorquino, que cita fontes ligadas à investigação, os supostos pagamentos estariam vinculados ao desenvolvimento do setor imobiliário em Macau, na China. Além disso, as prisões no mês passado de um magnata do setor imobiliário da antiga colônia portuguesa e de seu assessor estariam vinculadas ao esquema fraudulento.

"Espera-se que se anunciem acusações adicionais a partir de terça-feira contra outras pessoas, entre eles funcionários atuais e antigos da ONU", afirmou o Wall Street Journal.

A investigação é dirigida pelo escritório do promotor do distrito sul de Nova York, Preet Bharara, e pela polícia federal americana (FBI). As fontes da investigação não detalharam ao jornal como funciona exatamente o suposto esquema.

No dia 19 de setembro, o magnata imobiliário de Macau Ng Lap Seng e seu assessor, Jeff C. Yin, foram detidos acusados de mentir para as autoridades alfandegárias dos EUA em relação à finalidade de mais de US$ 4,5 milhões que haviam introduzido no país desde 2013.

O magnata é o presidente do grupo Sun Kian Ip, uma corporação privada com sede em Macau que conta com uma fundação em Nova York. Além disso, o empresário tem grande influência política tanto em Macau como no governo de Pequim.

Ng Lap Seng trabalhou em várias ocasiões com o escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, dedicado à promoção de acordos econômicos e políticos entre países em desenvolvimento.

Nos documentos que a Justiça americana apresentou contra os dois acusados, a quantia que transferiram para os EUA com destino a pessoas físicas e jurídicas desde 2010 está estimada em mais de US$ 19 milhões.

Entre outros casos, os documentos aos quais o The Wall Street Journal teve acesso citam uma visita dos dois homens aos EUA em 2014, na qual supostamente levaram US$ 400 mil em dinheiro em uma mala a um encontro com um empresário não identificado no distrito nova-iorquino do Queens. /EFE

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