EUA investigarão massacre por meses

Enquanto cidade de Newtown começa a enterrar vítimas de massacre, polícia diz que apurações não serão concluídas rapidamente

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h03

Um dia depois da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a cidade de Newtown, no Estado de Connecticut, realizou ontem o funeral de duas das vítimas do ataque contra uma escola, na semana passada, que resultou na morte de 27 pessoas, sendo 20 crianças, além do atirador. As investigações devem prosseguir por meses até que a polícia tenha um cenário mais completo do episódio.

Os dois primeiros a serem enterrados tinham 6 anos de idade. Jack Pinto era um torcedor fanático do New York Giants e foi homenageado, no domingo, pelos jogadores do time de futebol americano. Amigos e familiares estiveram presentes ao funeral, que restringiu o acesso à imprensa.

Noah Pozner, filho de um rabino, também teve o seu funeral ontem, que reuniu toda a comunidade judaica da região de Connecticut. Uma de suas irmãs sobreviveu ao ataque do atirador Adam Lanza, de 20 anos. Nos próximos dias, devem ser realizados os funerais de outras vítimas.

Entre os mortos, além das 20 crianças, estão a mãe de Lanza, Nancy, quatro professoras, a diretora da escola e uma psicóloga. A ação começou na casa dele, ao disparar contra a mãe. Depois, com um carro, ele se dirigiu para a escola onde matou as demais vítimas, antes de se suicidar.

Lanza realizou a maior parte dos disparos com um fuzil de repetição Bushmaster, calibre .223. Além dela, ele teria usado mais três armas. Todos os armamentos seriam de sua mãe e eram legais. De acordo com relatos na imprensa americana, ela o levava, às vezes, a um clube de tiro.

Ao todo, dezenas de disparos foram feitos por Lanza. A polícia deu poucas informações ontem sobre o andamento das investigações. Até agora, nada foi informado sobre o conteúdo de seu computador, que ele dividia com a mãe. Nenhum detalhe também foi divulgado sobre as informações passadas pelo irmão, Ryan Lanza, que chegou a ser preso e confundido, pelos jornais americanos, com o assassino. Ele estaria, segundo a polícia, colaborando com as investigações.

Qualidade de vida. Adam Lanza, segundo informações não confirmadas, sofria de uma versão leve de autismo e tinha dificuldades em demonstrar emoções. Aos 16 anos, chegou a começar a faculdade, mas desistiu. Segundo o New York Post, ele planejava retornar aos estudos de engenharia no ano que vem.

As escolas ficaram fechadas ontem em Newtown, cidade de Connecticut conhecida, até sexta-feira, pela elevada qualidade de vida. Os alunos do colégio onde ocorreu o ataque devem ser transferidos para instituições nas cidades vizinhas e, talvez, voltem às aulas apenas depois das férias de Natal e Ano Novo. Alguns falam em nunca mais reabrir a Escola Sand Hook.

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