EUA já não insistem sobre armas nucleares de Saddam

O governo dos Estados Unidos, confrontado com declarações de que o Iraque não possuía armas de destruição em massa, informou nesta segunda-feira que os inspetores de armas enviados ao país continuarão trabalhando para determinar a "extensão dos programas de Saddam Hussein". A existência de armas de destruição em massa supostamente mantidas por Saddam foi o principal argumento dos governos do presidente dos EUA, George W. Bush, e do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, para a invasão do Iraque. Hoje, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Scott McClellan não repetiu as costumeiras declarações do passado de que as armas certamente serão encontradas. "Queremos comparar os dados dos serviços secretos obtidos antes da guerra com as constatações dos grupos de pesquisa de campo", disse McClellan enquanto viajava com o presidente George W. Bush para um discurso em Arkansas. Questionado em diversas ocasiões sobre se acredita que existiam armas proibidas no Iraque, McClellan respondeu: "Acreditamos na importância da conclusão do trabalho do grupo de pesquisa no Iraque para que possamos elaborar o quadro mais completo possível. Isso nos ajudará a conhecer a verdade." David Kay, que no fim da semana passada pediu demissão da função de chefe dos inspetores de armas dos EUA no Iraque, disse que a incapacidade de sua equipe em encontrar armas proibidas no país árabe levanta sérias questões sobre o sistema de coleta de informações dos serviços secretos americanos. No ano passado, David Kay confiava em previsões de que as armas logo seriam encontradas. Porém, depois de nove meses de buscas infrutíferas, ele disse ontem: "Não creio que elas existam!" "Trata-se de uma questão sobre a capacidade que um serviço secreto tem para coletar informações valiosas e verdadeiras", declarou ele em entrevista à Rádio Pública Nacional dos EUA. Perguntado sobre se o presidente Bush devia uma explicação aos americanos pela discrepância entre suas acusações a Saddam e a ausência dessas armas, Kay disse: "Sinceramente, creio que os serviços secretos devem uma explicação ao presidente mais do que o presidente deve uma explicação ao povo americano." A CIA preferiu não comentar as declarações de Kay, mas um agente lembrou sob condição de anonimato que o próprio Kay previa encontrar as armas proibidas supostamente mantidas por Saddam.

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