EUA já têm um plano pronto para atacar o Irã

Segundo embaixador americano em Israel, Dan Shapiro, uso da força militar é o último recurso para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2012 | 03h03

Os Estados Unidos têm planos para atacar o Irã se isso for necessário para impedir o país persa de desenvolver armas nucleares. Foi o que afirmou o embaixador americano em Israel dias antes de uma rodada crucial de conversações com Teerã.

A mensagem de Dan Shapiro ecoou ontem bem além do fórum fechado em que foi emitida: o Irã não deve testar a determinação de Washington de cumprir sua promessa de atacar o país, se a diplomacia e as sanções não convencerem Teerã a abandonar seu contestado programa nuclear.

Shapiro afirmou na Associação de Advogados de Israel que os EUA esperam não ter de recorrer à força militar. "Mas isso não significa que a opção não está disponível. Não só é possível, mas está pronta", disse ele. "O planejamento necessário já foi feito para garantir que seja colocado em prática imediatamente."

O Irã diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos, como a produção de energia. EUA e Israel suspeitam que a intenção do país seja produzir armas nucleares, mas divergem sobre como convencer Teerã a interromper o seu programa. Washington diz que é preciso dar uma chance à diplomacia e às sanções econômicas e está liderando as atuais conversações entre seis potências globais e o Irã.

Embora Israel afirme preferir uma solução diplomática, tem manifestado ceticismo com relação às conversações e afirma que o tempo está se esgotando para uma ação militar ser eficaz.

O presidente Barack Obama assegurou a Israel que os EUA estão preparados para lançar uma ação militar se for necessário. Mas os comentários de Shapiro foram o sinal mais flagrante de que os preparativos se intensificaram.

No seu discurso, Shapiro reconheceu que o tempo está se esgotando. "Achamos que há tempo. Algum tempo, não um tempo ilimitado", disse ele. "Mas num determinado ponto teremos de fazer uma avaliação de que a diplomacia não funcionará."

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, estão se preparando para uma reunião com o Irã na quarta-feira em Bagdá. Logo após o encontro, a agência de energia atômica dos EUA deve divulgar seu último relatório sobre as atividades nucleares do Irã.

Em Teerã, o chefe dos negociadores iranianos, Saeed Jalili, fez uma advertência contra a pressão ocidental nas conversações de quarta-feira, que se seguem às negociações em Istambul no mês passado, consideradas positivas por ambas as partes.

"Temos de discutir cooperação em Bagdá", disse Jalili, na TV estatal iraniana. "Alguns dizem que o tempo está se esgotando para as negociações", acrescentou. "Afirmo que o tempo para a estratégia de pressão (ocidental) já está acabando."

Quatro resoluções da ONU estabelecendo sanções contra o Irã não convenceram o país a suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode ser usado para fins civis ou para a produção de uma bomba. Mas medidas recentes adotadas pelos EUA e países europeus, incluindo um embargo de petróleo e sanções bancárias e financeiras, afetaram a economia iraniana.

Para Israel, uma bomba atômica nas mãos do Irã é uma ameaça à sobrevivência do Estado judeu e os israelenses têm feito uma campanha diplomática feroz contra o programa nuclear iraniano. / AP

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