EUA lançam estratégia militar para o espaço

O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, propôs hoje uma profunda mudança de estratégia militar, para assegurar a defesa dos interesses americanos no espaço sideral. Ele defendeu um maior envolvimento da Força Aérea nas atividades espaciais e a nomeação de um brigadeiro quatro-estrelas para coordenar as tarefas espaciais. No documento que enviou ao Congresso e na entrevista coletiva concedida hoje à tarde, Rumsfeld não fez nenhuma referência ao nome do oficial que poderia assumir esse posto. Sem chegar a mencionar a criação de um quinto ramo das Forças Armadas - o que poderia causar mal-estar na Força Aérea -, Rumsfeld sugeriu a ampliação das funções e da autonomia do Comando Espacial da Força Aérea dos EUA, atualmente dirigido pelo brigadeiro Ralph E. Eberhart.A unidade teria como novas atribuições a tarefa de organizar, treinar e equipar as operações aeroespaciais. Seguiria com a Força de Defesa Aérea da América do Norte (Norad, com sede em Colorado Springs) a missão de dar o alerta no caso de um ataque aéreo ou com mísseis contra os EUA e o Canadá. "Podemos reestruturar o Departamento de Defesa de maneira a responder às necessidades de segurança nacional do século XXI", disse o secretário durante a entrevista. "A questão espacial é complexa e merece ser vista sob um novo foco."Evitando mencionar claramente a intenção de situar armas no espaço - uma questão considerada tabu na comunidade internacional -, Rumsfeld manifestou preocupação com a vulnerabilidade dos satélites americanos a eventuais ataques por parte de Estados ou grupos terroristas. Desde que assumiu o Departamento de Defesa, ele lidera uma comissão que leva seu nome para reestruturar o Pentágono. Além do reforço da segurança no espaço, a Comissão Rumsfeld deve propor nas próximas semanas um plano para reduzir o Exército.Mais do que qualquer outro país, os EUA recorrem a satélites militares para comunicações, operações de vigilância e detecção de armamento, meteorologia e navegação. Para o secretário, essa dependência torna os EUA muito sensíveis a um "Pearl Harbour espacial". Para a maior parte dos analistas, o plano de Rumsfeld também abre caminho para que os satélites possam ser utilizados como base para o escudo antimísseis anunciado há duas semanas por Bush.Os estudos da Comissão Rumsfeld concluíram também que as Forças Armadas devem reter um controle maior sobre o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO, pelas iniciais em inglês), uma agência secreta encarregada dos satélites de espionagem - hoje supervisionada conjuntamente pelo Pentágono e pela CIA.A idéia de instalar armas e lasers antimísseis no espaço sideral atrai forte oposição da China, da Rússia e de vários outros países europeus. Um tratado sobre o espaço extra-atmosférico, de 1967, proíbe a colocação de armas nucleares ou outros instrumentos de destruição em massa na órbita terrestre, mas é pouco preciso sobre os lasers, segundo a Associação de Controle de Armas de Washington.

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