EUA lançam ofensiva na região Ásia-Pacífico

Com visita de Obama, Washington busca ampliar sua influência e conter o papel e a emergência da China em área estratégica para os americanos

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2011 | 03h02

A histórica visita que Hillary Clinton realizou a Mianmar na semana passada foi o mais recente movimento de uma ofensiva dos EUA para ampliar sua influência na região Ásia-Pacífico, vista pela China como uma tentativa de limitar seu poder entre seus vizinhos.

Grande parte da ação foi comandada pelo próprio presidente Barack Obama, em uma sucessão de encontros e visitas em novembro que tiveram o objetivo de reforçar a presença americana na região. "Os EUA estão tentando criar uma coalizão para contrabalançar a China", disse ao Estado Jia Qingguo, vice-diretor do Departamento de Estudos Americanos da Universidade de Pequim.

Segundo ele, o que justifica a ofensiva é a percepção de que a China é uma ameaça. Em sua opinião, a estratégia é equivocada e pode reforçar a posição dos "falcões" chineses, para os quais os EUA são um poder hegemônico que não tolera a ascensão chinesa. "O perigo é que se inicie um clima hostil, que pode ameaçar a relação bilateral", afirmou Jia, lembrando que EUA e China são interdependentes e devem cooperar para enfrentar uma série de problemas globais.

O ponto alto da ofensiva americana foi a presença de Obama na reunião da Cúpula do Leste Asiático, realizada nos dias 18 e 19 na Indonésia, a primeira a ter a participação de um líder dos EUA. Durante o encontro, Obama reiterou a garantia de livre navegação do Mar do Sul da China, região marcada por conflitos territoriais.

Para a China, as declarações dos EUA são uma interferência em temas que devem ser resolvidos por negociação direta entre os países envolvidos. "Potências que estão fora da região não devem intervir sob nenhum pretexto", disse o premiê chinês, Wen Jiabao.

Antes da Indonésia, Obama visitou a Austrália, onde anunciou que marines passarão a realizar exercícios militares em Darwin, próxima do Mar do Sul da China.

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