EUA 'leva a sério' ameaças da Coreia do Norte a Seul

A Casa Branca afirmou neste sábado que leva a sério as ameaças feitas pela Coreia do Norte a Seul e criticou Pyongyang por "manter um padrão de retórica beligerante" que provoca tensão no leste da Ásia.

Agência Estado

30 de março de 2013 | 18h05

Ainda de acordo com a Casa Branca, os Estados Unidos estão plenamente preparados e capacitados para defender seus interesses e os de seus aliados na região.

O comunicado do governo norte-americano vem à tona depois de Pyongyang ter alertado a Seul que entrou em "estado de guerra" e ameaçou fechar um complexo industrial visto como o último importante símbolo da cooperação intercoreana.

"Recebemos notícias de uma nova e desconstrutiva declaração por parte da Coreia do Norte", disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. "Mas também notamos que a Coreia do Norte possui um longo histórico de retórica beligerante e ameaças. O anúncio feito hoje segue esse padrão", prosseguiu ela.

Analistas consideram um conflito em larga escala extremamente improvável, especialmente pelo fato de a Península Coreana encontrar-se tecnicamente em guerra há 60 anos. Mas as contínuas ameaças feitas por Pyongyang contra Seul e Washington, inclusive a promessa de lançar um ataque nuclear, levantam temores de que um equívoco no modo de lidar com os alertas possa levar a um confronto direto.

Kim Min-seok, porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, afirmou hoje que o país está "em prontidão militar para preservar a vida e a segurança de seu povo". Ainda segundo ele, as recentes ameaças do governo norte-coreano são "inaceitáveis e prejudicam a paz e a estabilidade na Península Coreana".

Também neste sábado, a Rússia pediu hoje "máxima responsabilidade e moderação", depois que a Coreia do Norte declarou "estado de guerra" com a Coreia do Sul e alertou Seul e Washington contra quaisquer provocações.

"Esperamos que todos os lados mostrem o máximo de responsabilidade de moderação e que ninguém cruze a linha após a qual não haverá volta", afirmou Grigory Logvinov, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, à agência de notícias Interfax.

Complexo industrial - O parque industrial Kaesong, que usa em grande medida a força de trabalho norte-coreana e o know-how sul-coreano, vinha operando normalmente, embora Pyongyang tenha desativado o canal de comunicações tipicamente usado para coordenar a viagem de trabalhadores sul-coreanos para as instalações, que ficam logo na fronteira.

Os rivais agora estão coordenando as viagens indiretamente por meio de um escritório em Kaesong que tem contato externo com a Coreia do Sul.

Hoje, no entanto, um porta-voz não identificado do escritório de controle da Coreia do Norte declarou que Pyongyang desativará a fábrica caso a Coreia do Sul continue minando a sua dignidade. Pyongyang se irritou com as reportagens que sugeriram que as instalações permaneciam abertas porque eram uma fonte de riqueza para o empobrecido país.

Dezenas de empresas sul-coreanas administram indústrias na cidade de Kaesong. Usando a barata e eficiente mão de obra norte-coreana, o complexo produziu o equivalente a US$ 470 milhões em bens em 2012. A Coreia do Norte já fez ameaças similares em relação a Kaesong no passado, mas não as cumpriu. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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