EFE/ Carlota Ciudad
EFE/ Carlota Ciudad

EUA liberam mais de 500 documentos sobre ditadura militar argentina

Relatório da CIA mostra planos de Buenos Aires no âmbito da Operação Condor para enviar agentes a Paris e Londres e matar 'líderes terroristas'

O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2016 | 15h40

BUENOS AIRES - A Casa Branca anunciou na segunda-feira 12 a liberação de mais de 500 documentos da CIA, FBI e outras agências de inteligência americanas relativos à ditadura militar na Argentina (1976 - 1983), entre eles planos elaborados para a Operação Condor.

O passo representa "um esforço histórico do governo dos Estados Unidos no sentido de buscar, identificar, revisar e proporcionar documentos que joguem luz sobre os abusos aos direitos humanos na Argentina entre 1975 e 1984", expressou a Casa Branca.

Entre os documentos liberados há um relatório da CIA sobre planos do governo argentino - parte da Operação Condor - de enviar agentes a Paris e Londres para "liquidar líderes terroristas" e ativistas ligados à organização de direitos humanos Anistia Internacional.

"A missão básica das equipes Condor que seriam enviadas ao exterior era liquidar líderes terroristas de alto nível", mas "não terroristas, aparentemente, também eram candidatos a assassinato". Entre os documentos, há um no qual a CIA revela que "seis nações" sul-americanas que participavam da Operação Condor concordaram com a "execução de latino-americanos que viviam na França".

O pacote tornado público mostra ainda um documento do Conselho de Segurança Nacional argentino datado de agosto de 1978 que relata torturas contra o dirigente socialista Alfredo Bravo, líder sindical e então presidente da Assembleia Permanente para os Direitos Humanos na Argentina.

Quando visitou Buenos Aires, em março deste ano, o presidente americano, Barack Obama, se comprometeu publicamente em ampliar a busca e a liberação de documentos sobre a repressão política na Argentina na época da última ditadura militar. Em agosto, o secretário de Estado John Kerry entregou mil documentos ao governo argentino. /AFP

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