EUA libertarão agente que espionou para Israel, diz jornal

O governo Barack Obama está se preparando para libertar Jonathan Pollard, um ex-analista de Inteligência da Marinha dos EUA condenado por fazer espionagem para Israel. A informação foi divulgada ontem pelo Wall Street Journal, citando fontes do governo americano.

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2015 | 02h02

A libertação de Pollard, de 60 anos, poria fim a décadas de uma disputa entre Israel e EUA sobre o caso. Ele foi condenado e sentenciado à prisão perpétua em 1987 - o único cidadão americano a receber essa pena por fazer espionagem para um país aliado.

Segundo o jornal, as autoridades americanas esperam que a decisão possa suavizar as relações com Israel após o anúncio do acordo nuclear com o Irã, ao qual os israelenses se opõem.

O jornal explicou que alguns integrantes do governo pressionam para que a libertação ocorra em algumas semanas. Mas outros acreditam que levará meses, possivelmente novembro, quando Pollard poderá entrar com pedido de liberdade condicional.

Defensores de Pollard afirmam que ele tem sido punido muito além do esperado considerando que Israel e EUA são países aliados. Segundo eles, a maior parte das informações sigilosas repassadas a Israel não causou qualquer prejuízo para os EUA e tratava-se de informações de inteligência que o país teve aceso previamente.

Seus apoiadores também argumentam que ele deveria ser libertado por estar com a saúde muito frágil. Os advogados dizem que Pollard sofre de diabetes e pressão alta. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tem, pessoalmente, pressionado há anos pela libertação de Pollard.

Em 2013, quando o ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden revelou que os EUA espionavam Israel, o governo israelense aproveitou o escândalo para pedir a libertação de Pollard.

O americano admitiu que estava espionando para Israel e foi detido em 1985 diante da embaixada israelense em Washington. / REUTERS "Senhor presidente, no interesse da população de Israel, escrevo para pedir a clemência de Pollard"

Binyamin Netanyahu

PREMIÊ DE ISRAEL, AO PEDIR A SOLTURA DE POLLARD A OBAMA, EM 2011

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