AP Photo/Kamran Jebreili
AP Photo/Kamran Jebreili

EUA limitam aparelhos eletrônicos em voos provenientes de 8 países de maioria muçulmana

Nova regra imposta pelo Departamento de Segurança Interna proíbe equipamentos como notebooks, tablets e câmeras fotográficas na cabine do avião em voos de empresas aéreas que não sejam americanas; companhias comentam medida

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2017 | 09h18
Atualizado 21 de março de 2017 | 12h13

WASHINGTON - Passageiros em voos com destino aos Estados Unidos e provenientes de 10 aeroportos em países de maioria muçulmana em companhias aéreas que não sejam americanas estarão sujeitos a uma nova restrição que os impedirá de carregar equipamentos eletrônicos maiores do que um telefone celular. Funcionários do governo americano estimam que, diariamente, cerca de 50 voos serão afetados. 

A medida foi imposta na terça-feira pelo governo de Donald Trump como uma tentativa de resolver o que qualificou como problemas resultantes de lacunas na segurança aeroportuária externa. O governo afirmou, no entanto, que não foi motivado por uma ameaça específica ou crível de um ataque iminente.

"A avaliação dos serviços de inteligência indica que os grupos terroristas continuam visando o transporte aéreo e buscam novos métodos para perpetrar seus atentados, como esconder explosivos em bens de consumo", afirmou de forma anônima uma fonte do governo.

"Com base nestas informações, o secretário de Segurança Interna, John Kelly, decidiu que era necessário reforças os procedimentos de segurança para os passageiros com saída de alguns aeroportos com destino aos EUA", disse outro membro do governo, sem detalhas quais informações exatamente foram usadas para tomar a decisão.

A nova regra do Departamento de Segurança Interna entrou em vigor às 4 horas (horário de Brasília) desta terça-feira, 21, e as companhias aéreas terão 96 horas para se adaptar - depois disso, voos que não respeitarem a restrição poderão ser impedidos de pousar nos EUA. Os aeroportos afetados são os de Amã, na Jordânia; Cairo, no Egito; Istambul, na Turquia; Jidá e Riad, na Arábia Saudita; Kuwait; Casablanca, no Marrocos; Doha, no Catar; e Dubai e Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos.

 

Desta forma, a partir de sábado equipamentos eletrônicos como notebooks, tablets, câmeras fotográficas, impressoras portáteis e jogos maiores do que um telefone não poderão ser transportados na cabine dos aviões - a restrição não se aplica à tripulação da aeronave. 

Reações. Após a divulgação da nova política americana, a companhia estatal Royal Jordanian afirmou que equipamentos médicos não seriam afetados pela restrição. A empresa disse também que os equipamentos eletrônicos maiores do que um celular poderão ser transportados na bagagem despachada. 

Já Turkish Airlines publicou um comunicado que confirma a proibição. O texto informa aos passageiros "que todo aparelho eletrônico ou elétrico de tamanho maior que um telefone celular ou smartphone (com exceção dos aparelhos médicos) não deve ser transportado a bordo de voos com destino aos Estados Unidos".

A EgyptAir afirmou que recebeu nesta terça-feira as instruções das autoridades dos EUA e as colocará em prática já em seu próximo voo direto para o país, na sexta-feira. Mais cedo, porém, passageiros de um voo da empresa para Nova York - incluindo o chanceler do Egito, Sameh Shoukri - foram autorizados a embarcar com computadores, tablets e outros eletrônicos.

Outra companhia que se manifestou sobre a proibição foi a Emirates, que disse nesta terça-feira que só aplicará a medida no sábado, quando as 96 horas de adaptação dadas pelo governo americno expirarem. / NYT, EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.