EUA mandam navios antimísseis para região próxima às Coréias

O destróier USS Mustin, que carrega vários sistemas antimísseis, chegou neste sábado ao Japão para reforçar a frota dosEUA na Ásia, após a Coréia do Norte ter disparado sete mísseis nestasemana. Além do Mustin, o cruzador USS Shiloh chegará à região em agosto.Os navios darão a Washington maior capacidade para responder apossíveis ataques com mísseis na região.O USS Mustin, por exemplo, "conta com radares mais sofisticados",disse o tenente Tray Brown, porta-voz da Marinha, à EFE. No entanto, Brown enfatizou que sua chegada à região não é umaresposta direta às ações de Pyongyang, pois já estava planejada há"quase um ano". Ambos substituirão antigos navios da Sétima Frota dos EUA, combase em Yokosuka, sul de Tóquio. A chegada do USS Mustin ao porto japonês significa que os EUA jácontam com oito navios equipados com o sistema de combate Aegis nasimediações da península de Coréia. O sistema conta com um radar eletrônico que detecta mísseis eaviões, dispara antimísseis e os guia ao alvo.O antigo radar cobria somente uma região por vez, enquanto o novorealiza detecções simultâneas e é capaz de seguir 100 alvos ao mesmoTempo.O USS Mustin é parte do projeto de escudo antimísseis dos EUA,uma idéia apresentada inicialmente por Ronald Reagan quando erapresidente nos anos 80. A proposta recebeu o apelido de "guerra dasestrelas".O projeto vem consumindo bilhões de dólares, e seus testes nemsempre deram os resultados esperados pelo Pentágono. Ao lançar mísseis nesta semana, a Coréia do Norte, no entanto, mostrou suaimportância para os Estados Unidos. "O fato de que uma sociedade não transparente esteja disposta adisparar um míssil sem informar o alvo significa que necessitamos deum sistema de mísseis balísticos", afirmou na sexta-feira o presidente dosEstados Unidos, George W. Bush. Segundo especialistas, um dos mísseis testados pela Coréia doNorte na quarta-feira, o Taepodong 2, tem capacidade para alcançar oAlasca. O míssil falhou poucos segundos após ser lançado, a oeste doJapão, perto do litoral norte-coreano e russo. Teste de mísseis dos EUA O Alasca é a sede da maioria dos onze antimísseis que os EUApossuem em terra. O restante está na base aérea de Vandenberg,Califórnia. Até o momento, os EUA realizaram oito testes das instalaçõesterrestres do escudo antimísseis, mas apenas em cinco ocasiões osprojéteis tiveram ação efetiva contra os mísseis. Essa baixa porcentagem foi obtida apesar de os exercícios nãoserem realistas, pois se conheciam variáveis como o ponto de origem,a velocidade e a trajetória dos mísseis, o que não acontece em umataque verdadeiro.O Pentágono suspendeu os testes depois que os mísseis falharam,em exercícios realizados em dezembro de 2004 e fevereiro de 2005.Mesmo assim, os EUA ativaram o sistema quando seus satélitesdetectaram que a Coréia do Norte se preparava para a realização deum teste de mísseis. "Acho que tínhamos possibilidades razoáveis de derrubá-los",disse Bush, que reconheceu que a capacidade do escudo antimísseis é"modesta". As provas no mar tiveram mais êxito. No mês passado, o USS Shilohusou sua versão do sistema Aegis para derrubar, fora da atmosfera,um míssil de médio alcance com um antimíssil. O USS Shiloh conta com uma tripulação de 400 marinheiros,enquanto o USS Mustin possui 380 membros. Já o porta-aviões USSKitty Hawk, principal integrante da 7.ª frota, tem uma tripulação de5 mil pessoas, incluindo os pilotos.

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