EUA mandam navios ao Japão por lançamento norte-coreano

Sob desconfiança do Ocidente, Coreia do Norte posiciona 'veículo para satélite', que poderia ser um míssil

Agências internacionais,

26 de março de 2009 | 07h41

A Marinha americana enviou dois navios de guerra equipados com sistema antimísseis para a região do Japão por conta dos planos da Coreia do Norte de lançar, nos próximos dias, um satélite de comunicação que, segundo a comunidade internacional, pode ocultar o teste de um míssil de longo alcance. A comunidade internacional desconfia que a Coreia do Norte testará o Taepodong-2, capaz de atingir o Estado do Alasca, violando as sanções da ONU.

 

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A Coreia do Norte avançou em seus preparativos apesar das advertências sobre sanções e um ainda maior isolamento político. Fontes sul-coreanas, americanas e japonesas, citadas pela imprensa local, afirmaram nesta quinta que o foguete já está colocado em sua plataforma de lançamento na base de Musudanri, no norte do país comunista, e que serão precisos quatro dias para abastecê-lo.

 

Os dois destróieres americanos permaneceram na região após as recentes manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul. O porta-voz da Marinha, Charles Howard, afirmou à AFP que os EUA estão preparados para qualquer eventualidade na região. Próximo da região do lançamento também está outro navio japonês, de características similares. A Coreia do Sul prepara-se para enviar uma embarcação de guerra equipada com um sistema antimísseis ao Mar do Leste, de modo a vigiar as atividades do foguete norte-coreano.

 

A Coreia do Norte anunciou que lançará um satélite de telecomunicações entre 4 e 8 de abril, mas especialistas do Sul acreditam ser um míssil com um alcance de até 6 mil quilômetros e que poderia chegar, portanto, no oeste do Alasca, nos Estados Unidos. Segundo fontes sul-coreanas, citadas pela agência de notícias local Yonhap, a Coreia do Norte colocou na plataforma na terça-feira o que parece ser um míssil de longo alcance. Seul, Tóquio e Washington já alertaram que, embora se trate de um satélite, Pyongyang estaria testando sua capacidade de disparar um míssil de longo alcance, pois a tecnologia é similar. Esses três países qualificaram o lançamento de "provocação" e alertaram que acarretaria sanções da ONU à Coreia do Norte por violar a resolução 1718, que a impede de realizar testes com mísseis.

 

O Ministério da Defesa sul-coreano avisou que o lançamento norte-coreano seria um "grave desafio e uma provocação contra a segurança da península coreana e a estabilidade do nordeste asiático". "Provocação" também foi o termo usado no México pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que, da mesma forma que os chefes das diplomacias de Coreia do Sul e Japão, avisou que ajudará na imposição de mais sanções a um regime já bastante isolado.

 

O Japão ameaçou com mais sanções, além das que poderiam ser impostas pelo Conselho de Segurança, e espera-se que aprove ainda nesta sexta-feira uma lei que lhe permitirá destruir os restos do foguete norte-coreano caso cheguem a cair em seu território. A trajetória do foguete, segundo revelou a própria Coreia do Norte aos organismos internacionais encarregados da segurança marítima e aérea, cruzará o Mar do Leste (Mar do Japão) e parte do Pacífico, caso realmente seja bem-sucedida. Segundo especialistas dos EUA, em 2006, Pyongyang fez um teste fracassado com um Taepodong-2, que explodiu a poucos minutos de decolar e, em 1998, ocultou um teste de míssil alegando ser um lançamento de satélite de telecomunicações.

 

O porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano, Won Tae-jae, fez uma chamada ao regime comunista para que interrompa o lançamento e avisou que isso violaria a resolução 1718 do Conselho de Segurança contra qualquer teste de mísseis balísticos feitos pela Coreia do Norte. O porta-voz da Chancelaria sul-coreana, Moon Tae-young, por sua vez, sugeriu que Seul poderá até levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, caso a Coreia do Norte chegue a disparar o foguete, ainda que seja levando um satélite. Em Tóquio, Yasuhisa Kawamura, chanceler japonês, disse em coletiva de imprensa que o Japão "acompanha a situação muito de perto" e pediu à Coreia do Norte que se "contenha em suas provocações" e que não lance o foguete, para evitar uma situação pior.

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