EUA mandam primeiro enviado a Pyongyang em anos

Christopher Hill espera avançar na negociação para o desmantelamento do programa nuclear norte-coreano

Agências Internacionais, Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h10

O máximo negociador americano no diálogo nuclear, Christopher Hill, chegou nesta quinta-feira, 21, em visita surpresa a Pyongyang a fim de avançar no processo de suspensão do programa nuclear da península e normalizar as relações bilaterais com a Coréia do Norte. "Desejamos poder recuperar o tempo perdido nos últimos meses", disse Hill ao chegar a Pyongyang, em meio a um otimismo moderado, na primeira visita de um enviado oficial americano desde outubro de 2002. Christopher Hill é o primeiro alto diplomata dos EUA a viajar ao país desde a visita, em outubro de 2002, de seu antecessor como encarregado do Leste da Ásia no Departamento de Estado, James Kelly, que acusou a Coréia do Norte de ter desenvolvido secretamente um programa nuclear de urânio enriquecido. Hill manifestou seu desejo de avançar nas negociações de seis lados - as duas Coréias, Japão, Estados Unidos, China e Rússia - para o desligamento dos reatores de enriquecimento de plutônio do país comunista, que deveriam ser encerradas com o fechamento do reator de Yongbyon, segundo a agência sul-coreana Yonhap. O negociador partiu nesta quinta-feira da base aérea americana em Ousam, ao sul de Seul, em um avião militar japonês rumo a Pyongyang. Negociador americano A Agência Central de Notícias Norte-coreana (KCNA) confirmou a chegada do diplomata americano, que viajou a pedido de Pyongyang, segundo a imprensa sul-coreana. Como mostram as imagens divulgadas pela imprensa, Hill foi recebido no aeroporto por Ri Gun, vice-delegado no diálogo nuclear. Segundo fontes diplomáticas sul-coreanas, durante a visita de dois dias Hill se reunirá com o primeiro vice-ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Kang Sok-ju, e com o negociador para o diálogo nuclear, Kim Kye-gwan. Não está descartado um eventual encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, caso Hill leve uma mensagem pessoal do presidente americano, George W. Bush. A visita de Hill acontece em meio ao otimismo gerado em relação ao desarmamento nuclear norte-coreano após o desbloqueio de US$ 25 milhões no Banco Delta Ásia (BDA) em Macau que permaneceram congelados durante um ano e meio por Washington sob suspeita de estarem ligados a atividades ilegais. O bloqueio do dinheiro atrasou até agora o desmantelamento nuclear norte-coreano, apesar de Pyongyang ter se comprometido em 13 de fevereiro a fechar em 60 dias seu reator nuclear de Yongbyon em troca de ajudas internacionais em matéria energética. O problema foi resolvido quando a Rússia, por meio de um de seus bancos, intermediou a devolução do dinheiro. "Agora não há mais nenhum obstáculo para a retomada das negociações do sexteto", disse nesta quinta em Moscou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov. Este era o principal impedimento alegado pelo regime comunista de Pyongyang para começar sua desnuclearização, a que tinha se comprometido em um acordo assinado em 13 de fevereiro, em Pequim. Testes militares No último dia 19 de junho, no mesmo dia em que o dinheiro norte-coreano em Macau havia sido liberado por Washington, a Coréia do Norte disparou um míssil de curto alcance no mar entre a península coreana e o Japão. Segundo informações oficiais da inteligência oficial sul-coreana e pelo Ministério de Defesa japonês, o teste, realizado com foguetes de 100 quilômetros de alcance, foi considerado mais uma das manobras habituais como as duas anteriores realizadas por Pyongyang, em 25 de maio de 7 de junho. Na última semana, Hill esteve em Tóquio, em Seul e em Pequim para discutir com os respectivos negociadores sobre o conflito nuclear da Coréia do Norte e analisar o futuro das negociações multilaterais. O negociador americano citou, na ocasião, que os EUA estão estudando agora a possibilidade de enviar ajuda energética à Coréia do Norte, mas não assistência financeira. ´Eixo do mal´ Espera-se ainda que a visita desta quinta-feira de Hill seja crucial para determinar o futuro das relações entre Pyongyang e Washington, que considera a Coréia do Norte como um dos três países do "Eixo do Mal". A visita surpresa de Hill ocorre às vésperas da viagem a Pyongyang de uma missão de trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na próxima terça-feira, depois do convite feito pelo governo norte-coreano neste fim de semana aos inspetores. No entanto, a visita poderá ser adiada, comunicou nesta quinta um porta-voz da Embaixada norte-coreana em Viena. O Ministério de Exteriores sul-coreano saudou a visita de Hill a Pyongyang com a esperança de que "acelere os passos concretos da desnuclearização" na península. Em comunicado, Seul manifestou ainda seu desejo de que a "visita de Hill estabeleça as bases para normalizar as relações bilaterais entre Coréia do Norte e EUA". O máximo negociador sul-coreano na reunião de seis lados, Chun Yung-woo, classificou como um "bom sinal" a viagem de seu colega americano a Pyongyang. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, defendeu nesta quinta o diálogo e a pressão sobre a Coréia do Norte, negou que a viagem a Pyongyang do negociador americano influencie nas reivindicações japonesas no seqüestro de cidadãos pelo regime norte-coreano e disse que "acompanhará atentamente" a visita de Hill. O chefe da diplomacia chinesa, Yag Jiechi, viajará para Pyongyang entre 2 e 4 de julho para tratar das relações bilaterais, além do processo de desnuclearização.

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