Silvia Izquierdo/AP
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EUA mantêm interesse em comprar aviões da Embraer

EUA suspendeu compra de 20 dos aviões de Embraer por supostos problemas na documentação

Efe,

01 de março de 2012 | 20h04

RIO DE JANEIRO - Os Estados Unidos continuam interessados em adquirir 20 aviões Super Tucano da Embraer apesar do contrato de compra ter sido suspenso na terça-feira por supostos problemas na licitação, assim como em vender 36 caças ao Brasil, disse nesta quinta-feira o subsecretário de Estado de EUA, William Burns.

"Consideramos o Super Tucano uma aeronave de primeira linha e apenas peço paciência com nossa burocracia", afirmou Burns em entrevista coletiva no Rio de Janeiro ao esclarecer que a aquisição não está totalmente descartada e que todo o processo será revisado.

Burns acrescentou que a compra dos aviões brasileiros será analisada internamente em Washington e que seu país está interessado nos Super Tucano e em resolver o assunto o mais rápido possível.

A Força Aérea dos EUA anunciou na terça-feira a suspensão da compra de 20 dos aviões de Embraer por supostos problemas na documentação apresentada pela empresa.

Já o Ministério das Relações Exteriores emitiu um comunicado expressando sua surpresa "pela forma e pelo momento em que se deu" a suspensão do contrato.

A nota afirma que o Governo Federal "considera que esse desdobramento não contribui para o aprofundamento das relações entre os dois países em matéria de defesa", mas que, mesmo assim, "continuará a manter diálogo com as autoridades norte-americanas sobre o assunto"

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, tinha adjudicado em dezembro passado um contrato no valor de US$ 355 milhões para oferecer à Força Aérea americana aviões de ataque leve que seriam utilizados no Afeganistão.

A vitória de Embraer na licitação foi questionada pelo fabricante americano Hawker Beechcraft, que alertou para a perda de empregos nos EUA no meio da campanha para as eleições presidenciais.

"Não temos uma previsão sobre quanto demorará a revisão desse processo, mas queremos resolvê-lo o mais rápido possível", declarou Burns ao ser interrogado sobre se os EUA se pronunciarão sobre o negócio antes das eleições em seu país, em novembro.

"Queremos o melhor produto e a melhor tecnologia. Não temos dúvida que os aviões de Embraer são produtos de primeira linha e nos interessam as associações de Embraer nos EUA", comentou ao referir-se aos acordos da empresa brasileira com a americana Sierra Nevada Corporation para equipar os Super Tucano.

Burns, que iniciou hoje uma visita oficial para preparar a viagem que a presidente Dilma Rousseff realizará aos EUA em abril, descartou que a suspensão do contrato com Embraer possa prejudicar a possível venda de caças americanos ao Brasil.

A americana Boeing, com seus caças Super Hornet F/A-18, disputa com a francesa Dassault (Rafale) e a sueca Saab (Gripen NG), uma licitação do Governo Federal para adquirir 36 caças-bombardeiros que substituirão os atuais aviões de combate da Força Aérea Brasileira.

"Não consideramos que a compra de aviões de Embraer tenha relação ou possa interferir na venda dos F-18 para o Brasil", frisou Burns.

"Estamos convencidos que o F-18 é o melhor avião de combate do mundo e que a oferta feita pelos EUA é a melhor", disse o subsecretário de Estado.

Segundo Burns, os EUA se comprometeram a transferir a tecnologia ao Brasil caso adquira os F-18, algo que só oferece a seus principais parceiros.

O funcionário acrescentou que a transferência de tecnologia prometida transforma a oferta americana na melhor para o Brasil.  

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