EUA mantêm Israel sob pressão

Enviado americano busca compromisso israelense de congelar assentamentos na Cisjordânia

Reuters, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

O enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, disse ontem em Jerusalém que espera chegar nos próximos dias a um acordo com líderes israelenses e palestinos para o congelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a retomada das negociações de paz na região.

"Apesar de ainda não termos chegado a um acordo em relação a muitos temas que permanecem em aberto, estamos trabalhando exaustivamente nesse sentido e o propósito de minhas visitas à região nesta semana é tentar concluir essas negociações", disse Mitchell, ao lado do presidente israelense, Shimon Peres.

Mitchell, que chegou a Israel no sábado, esteve preparando um pacote que prevê o congelamento da construção de assentamentos na Cisjordânia ocupada e a adoção de medidas iniciais, por parte dos países árabes, para o reconhecimento do Estado de Israel. Washington espera que ambos os gestos possibilitem uma retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos, suspensas desde dezembro.

ENCONTROS DIRETOS

Mitchell reúne-se hoje com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e conversará amanhã com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que disse não ter intenção de reabrir as negociações de paz a menos que Israel se comprometa a congelar os assentamentos.

"Ainda há trabalho a ser feito", disse Netanyahu antes de viajar para o Cairo, onde se reuniria com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

"Houve progresso em relação a certos temas e há outros aspectos nos quais ainda temos de avançar", afirmou. Netanyahu disse esperar que ele e Mitchell sejam capazes de "aproximar as diferenças e, talvez, conciliá-las" para avançar naquilo que ele classificou como "processo diplomático".

Apesar de funcionários do governo israelense dado sinais da perspectiva de uma pausa no início de novas construções nos assentamentos, Netanyahu disse que a construção de aproximadamente 2.500 novas casas para israelenses na Cisjordânia continuaria e a cidade de Jerusalém não seria incluída em nenhum tipo de acordo relativo aos assentamentos.

Peres reuniu-se com Mitchell poucas horas depois de receber alta no hospital, onde passou a noite em observação depois de ter desmaiado durante um compromisso público.

ONU

Os EUA esperam que um acordo sobre os assentamentos abra caminho para um encontro entre Netanyahu, Abbas e o presidente americano, Barack Obama, nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, no dia 23.

Mas o principal negociador palestino, Saeb Erekat, revelou que Abbas diria a Mitchell que não serão feitas concessões. "Israel precisa paralisar todas as atividades nos assentamentos, até o crescimento natural deles", disse Erekat.

Cerca de 500 mil israelenses moram em assentamentos no território palestino da Cisjordânia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.