EUA mantêm planos para escudo antimísseis apesar de avisos da Rússia

Autoridades americanas negam que dispositivos sejam ameaça à Europa, como alega Moscou

Efe

23 de novembro de 2011 | 19h08

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos descartou nesta quarta-feira, 23, modificar seus planos sobre o escudo antimísseis na Europa apesar das advertências da Rússia, que anunciou o desenvolvimento de um radar de alerta adiantado sobre ataques com foguetes no enclave báltico de Kaliningrado. "Não vamos de nenhuma maneira limitar ou mudar nossos planos de desdobramento na Europa", ressaltou em comunicado o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, Tommy Vietor.

 

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Por sua parte, um porta-voz do Pentágono, o capitão John Kirby, negou que o escudo antimísseis seja uma "ameaça" para a segurança da Rússia, de acordo com o canal de televisão Fox.

 

O presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que ordenou ao Ministério da Defesa o desenvolvimento "imediato" de um radar de alerta adiantado contra mísseis no enclave báltico de Kaliningrado. Ele também pediu o reforço de segurança das instalações das forças estratégicas da Rússia que, segundo o Kremlin, poderiam ser ameaçadas pelo novo sistema antimísseis americano na Europa.

 

O chefe do Kremlin advertiu que, "se todas essas medidas são insuficientes, a Rússia instalará no sul e no oeste do país sistemas de armamento de ataque modernos que garantam a destruição do componente europeu do sistema antimísseis". Segundo Medvedev, EUA e Otan "não estão dispostos a levar em conta nossa preocupação pela arquitetura da defesa antimísseis europeia".

 

Vietor, porém, afirmou que os americanos explicaram às autoridades russas que os sistemas de defesa antimísseis "não são uma ameaça". Os EUA "foram abertos e transparentes com a Rússia sobre nossos planos de defesa antimísseis na Europa, que são reflexo de uma crescente ameaça para nossos aliados procedente do Irã que nos comprometemos a dissuadir", frisou o porta-voz governamental.

 

Além disso, ele indicou que os Estados Unidos seguem acreditando que a "cooperação" com a Rússia sobre defesa antimísseis pode "melhorar a segurança" de ambos países e de seus aliados na Europa.

 

Interesses nacionais

 

No último dia 12 de novembro, Medvedev e seu colega americano, Barack Obama, se reuniram no Havaí à margem da cúpula dos 21 sócios membros do Fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e voltaram a manifestar suas profundas divergências sobre o escudo antimísseis. Medvedev disse então que ambos países continuam sua busca de possíveis soluções, mas também que as posturas "continuam muito afastadas".

 

Além disso, o governo americano anunciou nesta terça-feira que deixará de proporcionar dados à Rússia sobre sua presença militar na Europa e de permitir a inspeção em suas bases, quatro anos depois que Moscou encerrou sua participação no tratado CFE sobre forças convencionais.

 

Essa medida revela a frustração de Washington perante as fracassadas tentativas de "encontrar uma solução diplomática" à recusa de Moscou a voltar ao pacto, que abandonou em represália ao plano americano sobre o escudo antimísseis na Europa. 

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