EUA mantêm que míssil ucraniano derrubou avião russo

Equipes de resgate agiam com rapidez hoje numa grande área do Mar Negro para recuperar corpos e recolher fragmentos de um avião russo que explodiu e caiu matando 78 pessoas. O trabalho das equipes foi apressado para se evitar que as fortes correntes levassem evidências potencialmente valorosas sobre a causa do desastre. Agentes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos acreditam que um míssil antiaéreo de longo alcance ucraniano, lançado durante manobras militares, tenha atingido acidentalmente o Tupolev 154. Segundo eles, o avião pode ter sido atingido por um míssil terra-ar ucraniano S-200 ou SA-5, construído para derrubar aviões-bombardeiros voando em altas altitudes. Os EUA acompanharam o míssil terra-ar com satélites sensíveis ao calor e afirmaram que o momento do lançamento coincidiu com o desastre. Autoridades ucranianas têm negado a hipótese, mas o primeiro-ministro da Ucrânia, Anatoliy Kinakh, parecia estar amenizando a negativa hoje, ao comentar que a versão dos EUA "tem o direito de existir". Ele disse a jornalistas ucranianos que uma investigação, já iniciada, ainda não chegou a uma conclusão oficial e, segundo a agência de notícias Interfax, também reforçou negativas já apresentadas pelo Ministério da Defesa. Kinakh também afirmou que se houver uma "informação séria" sobre o envolvimento da Ucrânia no desastre, os EUA devem informar Moscou. Ainda hoje, mais cedo, o ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, enviou um pedido urgente ao Pentágono por "dados documentados" que poderiam provar sua afirmação de que um míssil abateu o avião, segundo a Interfax. A Rússia tem dito que investiga a possibilidade de um atentado terrorista. Vladimir Rushailo, chefe do Conselho de Segurança da Rússia, órgão responsável pela investigação do desastre, afirmou que os destroços estão espalhados num raio de 10 quilômetros. "Nossa tarefa hoje é apressar a coleta de tudo o que estiver na superfície da água, porque podemos ver as correntes", disse Rushailo após sobrevoar o local da tragédia de helicóptero. "Se não fizermos isso, muitos fragmentos podem ser perdidos." Homens-rã já recuperaram 14 corpos, e familiares dos passageiros e tripulantes da Sibéria e de Israel estavam chegando à cidade costeira de Sochi, no Mar Negro, para identificar as vítimas. O Tupolev 154 pertencia à Sibir Airlines, e fazia um vôo de Tel-Aviv para Novosibirsk, na Sibéria, quando explodiu em pleno ar a 180 quilômetros da cidade costeira russa de Adler, nas proximidades de Sochi. O avião levava 66 passageiros e 12 tripulantes, segundo Gleb Gutiyev, porta-voz da prefeitura de Sochi. O Tupolev transportava habitantes de Israel, muitos dos quais haviam recentemente migrado da Rússia e voltavam para visitar familiares. Desconsolados, parentes perambulavam pelos corredores do Hotel Moskva, em Sochi. "Minha mulher está morta", afirmou em soluços Valery Chekhovsky. Pavel Kravchets tinha as mãos na cabeça, lamentando a morte da filha e da neta, de um ano e meio. Ambas estavam na aeronave. Partes da fuselagem, da cabine do piloto e uma porta do avião, foram recuperados com os corpos, declarou Gutiyev. Rushailo afirmou ser prematuro concluir que buracos na porta da cabine tenha sido feitos por balas. "Não falamos sobre teorias ou suposições, falamos apenas sobre fatos estabelecidos", disse. Gutiyev tinha poucas esperanças de que a caixa-preta do avião será recuperada, já que os destroços estão a pelo menos 1.000 metros de profundidade. Rushailo afirmou que a Rússia pediu ajuda a Israel e aos Estados Unidos para recuperar a caixa-preta. Um piloto armênio que passava com um avião comercial viu o Tupolev explodindo e caindo no mar. Quando funcionários do Pentágano foram informados que um míssil poderia ter abatido o avião, inicialmente concluíram que a arma não tinha alcance para chegar até o Tupolev. No entanto, posteriormente, o Pentágono ficou sabendo que um míssil muito maior estava envolvido. Isto, ao lado de novas informações de inteligência, fizeram com que os EUA virtualmente descartassem um atentado terrorista. Oficiais ucranianos negaram categoricamente a hipótese levantada pelos EUA, dizendo hoje que lançaram apenas mísseis de curto alcance, que não poderiam atingir um avião voando a cerca de 250 quilômetros da área das manobras em Cabo Opuk, na península da Criméia. O ministro da Defesa ucraniano, Oleksandr Kuzmuk, afirmou que um total de 23 mísseis foram disparados contra aviões não tripulados a distâncias entre 20 quilômetros e 40 quilômetros. Entretanto, a afirmação contradiz comunicados anteriores, segundo os quais nos exercícios estavam envolvidos vários armamentos de longo alcance, como mísseis S-125, S-200 e S-300. O Ministério da Defesa ucraniano também garantiu que todos os mísseis disparados foram acompanhados por instrumentos e atingiram os alvos propostos. Mas a agência de notícias Interfax divulgou de Kiev que o Ministério da Defesa ucraniano promoveu uma reunião durante a madrugada e concluiu que o avião pode realmente ter sido abatido por um míssil da Ucrânia. Segundo as autoridades, um míssil guiado por radar poderia ter se desviado do alvo e, automaticamente, passado a perseguir o Tupolev. O Ministério da Defesa ucraniano negou-se a comentar a notícia.

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