EUA mantêm relação dúbia com Bashir

O enviado especial americano ao Sudão, Scott Gration, afirmou na semana passada que as eleições seriam o "mais livre e justas possível". Já a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, diz que "há importantes obstáculos, como restrições das liberdades civis, coerção da mídia, redução no número de lugares para votação, insegurança e impossibilidade de muitas pessoas, particularmente em Darfur, para se registrar e participar da eleição".

, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

A diplomata acrescentou ainda que o adiamento poderia contribuir para uma melhora no cenário, chegando a irritar membros do Departamento de Estado. Alex de Wall, um dos principais especialistas em Sudão, avalia que "os americanos no fundo querem que a eleição prossiga" e não pretendem ter muito atrito com o regime de Bashir.

A organização Save Darfur, que transformou a questão do genocídio desta região do país africano em um tema prioritário na agenda americana, defende uma posição dura. Robert Lawrence, um dos diretores da organização, afirma que "o governo americano não pode legitimar um governo corrupto e genocida". Já o professor da Universidade Columbia e um dos mais conceituados intelectuais africanos, Mahmoud Mandani, autor de um livro sobre Darfur e ferrenho opositor da Save Darfur, defende que os EUA devem "aceitar o resultado", buscando reduzir o isolamento do país no Ocidente. Como ele, diplomatas estrangeiros costumam afirmar que o Sudão tem trabalhado com os EUA na troca de informações de inteligência na Guerra ao Terror.

Rede de apoio. Atualmente, países europeus e os EUA impõem sanções ao Sudão. Por outro lado, o regime de Cartum se mantém forte graças ao apoio de países árabes e dos chineses, seus principais parceiros comerciais e compradores de petróleo. Além da legitimidade de Bashir, outros fatores estão em jogo, especialmente o referendo sobre a partilha do país no ano que vem, segundo diplomatas na ONU. O resultado da eleição, se não for bem aceito, pode levar Bashir a abandonar o seu compromisso de convocar a votação no ano que vem, quando a expectativa é de que os habitantes do sul ganhem independência.

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