Carolyn Kaster/AP
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EUA: massacre de civis afegãos não muda estratégia no país

Cronograma do governo dos EUA prevê uma saída gradual de seus 100 mil soldados até o final de 2014

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON,

12 de março de 2012 | 17h54

WASHINGTON - O massacre de 16 civis afegãos por um sargento do Exército americano, neste domingo, não deverá antecipar o calendário de retirada das tropas dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira, 12, a Casa Branca.

 

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O cronograma do governo dos EUA prevê uma saída gradual de seus 100 mil militares até o final de 2014, quando a guerra seria encerrada. Em sintonia, a secretária de Estado, Hillary Clinton, declarou nas Nações Unidas que o massacre "não muda o compromisso firme dos EUA de proteger o povo afegão".

A questão da retirada das tropas dos EUA e de seus aliados do Afeganistão já estava na agenda da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para abril em Chicago. O Reino Unido pretende retirar-se o quanto antes, por pressões fiscais domésticas. Outros parceiros dos EUA já trouxeram seus soldados de volta, como o Canadá. O secretário americano de Defesa, Leon Panetta, teria sugerido antecipar a retirada para o início de 2013, mas a Casa Branca nega essa versão. "Fiquei chocada e triste com a morte de inocentes afegãos. Isso não é quem nós somos, e os EUA estão comprometidos em fazer os responsáveis prestarem contas", afirmou Hillary. "Esse terrível incidente não muda nossa firme dedicação em proteger o povo afegão e em fazer tudo o que pudermos para construir um Afeganistão forte e estável. Reconhecemos que um incidente como esse é inexplicável e vai, com certeza, levantar muitas questões".

A secretária de Estado concordou ter Washington atravessado "algumas semanas difíceis e complexas" no Afeganistão. Referiu-se a dois recentes episódios geradores de tumultos, de reação violenta contra soldados americanos e de mortes de civis afegãos. O primeiro, em janeiro passado, foi a divulgação de um vídeo com imagens de quatro marines urinando sobre os cadáveres de três combatentes do Taleban. O outro episódio, no final de fevereiro passado, foi a queima de exemplares do Alcorão em uma base aérea americana perto de Cabul. Na semana passada, a saída apressada dos EUA do Afeganistão, por causa desses incidentes, era prevista por analistas em Washington.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, deixou claro não ser de interesse dos EUA permanecer no Afeganistão por mais tempo do que deve. De fato, desde o final de 2009, os EUA preparam-se para deixar o país, por causa do custo de vidas de militares e de civis e do peso orçamentário do conflito para um país com elevado déficit fiscal. "A situação no Afeganistão esteve e continua difícil, e os desafios enfrentados por nossos homens e mulheres são significantes. Mas esse incidente não muda o imperativo estratégico", afirmou Carney.

 

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