EUA mataram civis inocentes, acusam afegãos

Os afegãos contradisseram hoje as explicações norte-americanas sobre um combate, acusando os soldados das forças especiais dos Estados Unidos de terem matado pessoas erradas - que estavam dormindo em uma escola - durante um ataque que, segundo o Pentágono, destruiu um esconderijo de armas. Dois dos mortos foram encontrados com as mãos amarradas nas costas. O Pentágono informou que, nessa operação, na semana passada, as forças especiais invadiram dois complexos do Taleban em Hazar Qadam, ao norte de Kandahar, matando 15 pessoas, capturando outras 27 e destruindo um grande número de armas. Um soldado norte-americano foi ferido no tornozelo durante a operação. Mas moradores da província de Uruzgan, onde o ataque foi realizado, disseram que as vítimas não eram do Taleban nem da Al-Qaeda, mas afegãos enviados pelo governo para negociar a entrega de armas de redutos do Taleban na área. Segundo Bari Gul, o grupo de 18 homens, liderados por seu irmão Haji Sana Gul, decidiu dormir na madrassa (escola islâmica) local com dezenas de outras pessoas depois de ter convencido os taleban a entregar suas armas. As tropas norte-americanas chegaram antes do amanhecer e mataram várias pessoas, entre elas Haji Sana Gul. Visita - Ainda neste domingo, o primeiro-ministro do governo de transição do Afeganistão, Hamid Karzai, chegou a Washington para sua primeira visita aos Estados Unidos desde que assumiu o poder no mês passado. Karzai, que se reunirá amanhã com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pretende exortar o governo dos EUA a comprometer-se a longo prazo com o Afeganistão. Segundo um porta-voz do líder afegão, Karzai aspira a uma relação firme entre os dois países e não quer que as operações norte-americanas no Afeganistão acabem "até que tenha sido eliminado todo o perigo dos terroristas da Al-Qaeda".

Agencia Estado,

27 Janeiro 2002 | 18h11

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