EUA minimizam possibilidade de ataque da Al-Qaeda

Governo eleva segurança nos transportes mas não vê necessidade de alerta

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h16

O secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, minimizou nesta segunda-feira, 2, que a rede terrorista Al-Qaeda esteja planejando um ataque "espetacular" no país, afirmando que ainda não há comprovação de ameaça iminente. Depois que um veículo cheio de combustível explodiu no sábado, no aeroporto de Glasgow, e a polícia frustrou a explosão de outros dois carros-bomba em Londres, na sexta, as autoridades americanas aumentaram a segurança nos transportes mas não viram necessidade de elevar o alerta de segurança nacional. No domingo, um dia depois de as autoridades norte-americanas reagirem ao ataque de Glasgow com um aumento na segurança dos aeroportos, Chertoff disse que ainda existem "evidências de credibilidade e não específicas" de uma ameaça contra os Estados Unidos. Falando no programa This Week, da rede de TV ABC, ele disse que as autoridades dos EUA também vão aumentar a segurança em "diversos locais de ferrovia e em outros locais de trânsito de massa" esta semana, já que muitos norte-americanos se preparam para viajar no feriado do Dia da Independência, em 4 de julho. Os EUA aumentaram a segurança nos transportes, inclusive pondo mais agentes disfarçados entre os passageiros de vôos para o Reino Unido, devido à possibilidade de que o ataque ocorrido na Escócia inspire imitadores, disse Chertoff. "Desde os eventos dos dois últimos dias, vamos fazer isso por algum tempo", afirmou. "Uma das coisas em que sempre nos concentramos um pouco é na possibilidade de um imitador, que é mais uma razão por que adotamos medidas adicionais de segurança", disse ele. Imitadores Um agente do serviço de contraterrorismo dos EUA, que falou sob condição de que seu nome não fosse revelado, disse que os incidentes ocorridos no Reino Unido podem encorajar imitadores, ao mostrar como os ataques podem ser realizados com materiais comuns. "Um imitador é uma possibilidade lógica", disse ele, lembrando que as bombas de 7 de julho de 2005 em Londres, que mataram 56 pessoas, foram seguidas por tentativas, atribuídas a imitadores, duas semanas depois, que não fizeram vítimas. A explosão frustrada de carros-bomba em Londres e o ataque em Glasgow sugerem uma possível ligação com a chegada do primeiro-ministro britânico Gordon Brown ao poder na semana passada, segundo alguns analistas. Brown, por sua vez, disse que os três ataques envolviam pessoas com ligações com a Al-Qaeda, a rede terrorista liderada pelo saudita Osama bin Laden, a quem se atribui o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, em 2001. Desde aquele ano, quando aviões foram seqüestrados e jogados contra o WTC e o Pentágono, o país está em alto alerta contra ameaças terroristas. O Reino Unido também está em alerta contra insurgentes islâmicos, pois o país é o principal aliado dos EUA na ocupação do Iraque e do Afeganistão. "A Al-Qaeda e seus membros tem intenções de promover ataques contra os EUA e o Ocidente", afirmou Chethoff. "Nós sabemos que eles poderiam realizar atentados espetaculares ou de grandes proporções, então não seria nenhuma surpresa se especialistas comentassem que esse tipo de ataque é definitivamente possível", disse. Mas o agente do serviço de contraterrorismo disse que é cedo demais para descartar uma mensagem divulgada pela Internet em um fórum islâmico na quinta-feira, com ameaças de ataques em Londres como retaliação porque o escritor Salman Rushdie recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico. Rushdie, autor de Os Versos Satânicos foi condenado à morte pelo líder revolucionário iraniano aiatolá Ruhollah Khomeini em 1989 por blasfêmia contra o Islã, o que o fez viver na clandestinidade por nove anos.

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