EUA muda prioridades e corta contratos de defesa

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, revelou hoje uma ousada revisão das principais prioridades armamentistas do Pentágono e disse que ele orientará os militares norte-americanos na direção de vencerem conflitos não convencionais, como o atualmente em curso no Afeganistão, em vez de manter o foco em potências como a China e a Rússia. Ao explicar o corte de contratos e as escolhas de compra de equipamentos militares que ajudarão no apoio ao pessoal de campo, Gates disse que seus planos equilibram "virtude com a necessidade" e refletem "uma oportunidade para reformar de verdade a maneira de atuar", segundo o The Wall Street Journal.

AE, Agencia Estado

06 de abril de 2009 | 19h25

A ambiciosa revisão, uma combinação de cortes em contratos de defesa e mudanças políticas, deverá atiçar um debate em ebulição no Congresso sobre a importância dos empregos na indústria bélica dos EUA e poderá marcar um ponto de inflexão após os picos de alta nas fábricas de armamentos durante a administração George W. Bush. "Não existem dúvidas de que muitas dessas decisões serão controversas", disse Gates, ao esperar que os congressistas estejam acima de "interesses particulares." Segundo ele, a política não influenciou suas decisões.

Entre as maiores mudanças que Gates propôs no orçamento do Departamento de Defesa para 2010 estão um final à produção do F-22 Raptor, da Lockheed Martin Corp., do qual foram e deverão ser produzidos no total 187 jatos, o que efetivamente fecha as portas aos desejos da Força Aérea dos EUA por caças de combate mais avançados. O F-22 entrou ao serviço em dezembro de 2005.

No entanto, Gates afirmou que as verbas serão ampliadas para outro programa de desenvolvimento de caça de combate, o F-35 Lightning, para o qual será destinada uma soma de US$ 11,2 bilhões em 2010. A compra de 14 caças F-35 será ampliada para 30 aviões no orçamento de 2010. Ainda em desenvolvimento, também pela Lockheed Martin, o F-35 deverá entrar em serviço em 2011.

Ele disse que outro projeto para a Força Aérea dos EUA, que custaria US$ 15 bilhões e previa a substituição de helicópteros de busca e resgate, será cancelado. Gates afirmou que até mesmo um plano da Casa Branca para substituir a frota de helicópteros presidenciais Marine One por um novo modelo que seria construído pela Lockheed será cancelado, por ser caro demais e estar seis anos atrasado.

Exército

Já o projeto de US$ 200 bilhões do Exército, o Future Combat Systems, tocado pela Boeing Co. e pela SAIC Inc., sofrerá drásticas alterações e Gates pediu o cancelamento dos projetos de componentes eletrônicos desenvolvidos para veículos de combate. Ao cortar projetos de alguns dos mais complexos e caros sistemas de armas dos EUA, o secretário de Defesa executa mudanças duradouras que ele acredita são necessárias, devido à pressão econômica e ao atual imperativo de guerras curtas contra tropas de insurgentes. As informações são da Dow Jones.

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