EUA mudam atitude, mas não posição em relação à Argentina

A iniciativa do secretário do Tesouro, Paul O, de convidar o chanceler argentino, Carlos Ruckauf, para um encontro durante a visita que ele começa hoje a Washington sinaliza a mudança de atitude do governo americano frente à crise da Argentina. Mas ela não alterou as condições que a administração Bush quer ver preenchidas antes de apoiar a uma operação internacional de socorro ao país, sob a coordenação do Fundo Monetário Internacional (FMI). "As pessoas estão se dando conta de que a repetição das preleções públicas ao governo de Buenos Aires estava atrapalhando mais do que ajudando a produzir o resultado desejado", disse à Agência Estado uma alta fonte de um organismo internacional. "Parece haver uma disposição nova para envolver-se com os argentinos, compreender que essa crise não permite, por ora, as soluções ideais previstos nos manuais de economia e ajudar as autoridades a desenvolver um plano, em vez de apenas exigir tal plano e lavar as mãos", acrescentou. A mudança de atitude deve-se, em parte, ao empenho pessoal do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, bem como dos governos do Brasil e do México em chamar atenção de Washington e do FMI para a complexidade da situação, disse um funcionário familiarizado com as consultas de bastidores e discussões internas nos organismos internacionais. "Temos insistido que a melhor forma de influir de uma forma positiva é reconhecer as dificuldades que a Argentina enfrenta e manter-se próximo das autoridades, em lugar de fazê-las sentir-se hostilizadas e isoladas". A decisão de O de abrir as portas a Ruckauf é particularmente significativa porque o secretário do Tesouro foi, até agora, o porta-voz da posição dura que a administração Bush assumiu diante da crise argentina, a ponto de nunca ter recebido o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, em seu gabinete no departamento do Tesouro. Fontes oficiais disseram que O os demais membros do gabinete de Bush que receberão Ruckauf querem mais ouvir do que falar, até porque a posição dos EUA é conhecida. Eles farão perguntas ao chanceler argentino sobre as questões mais urgentes sobre os planos do governo Duhalde para abandonar medidas dirigistas, como o câmbio duplo, que impôs para tirar o país da paridade, como o "curralito" dos depósitos bancários, que herdou do governo de la Rúa. Leia o especial

Agencia Estado,

27 Janeiro 2002 | 18h11

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