EUA mudam de ideia e dão visto a jornalista colombiano

Após a polêmica que surgiu após os Estados Unidos negarem o visto de entrada a um importante jornalista colombiano, Washington reverteu sua decisão e concedeu a permissão, informou a Fundação Nieman, da Universidade de Harvard.

AE-AP, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 18h33

A fundação escolheu Hollman Morris como um dos 12 repórteres internacionais para seu programa 2010-2011, e não explicou os motivos para a mudança dos EUA. A porta-voz da embaixada norte-americana em Bogotá, Ana Duque, não quis comentar o caso, alegando leis sobre a privacidade.

Morris, de 41 anos, produz de forma independente um programa de televisão chamado "Contravía", e tem sido em seu trabalho um dos mais duros críticos dos laços entre grupos paramilitares e aliados do presidente colombiano Alvaro Uribe, que está deixando o cargo.

Uribe é o mais próximo aliado de Washington na região. "O que se buscava, com a negativa do visto, era calar um jornalista que durante toda a sua carreira tentou mostrar as vítimas, dar visibilidade a elas", disse Morris.

Bob Giles, curador da Fundação Nieman, que oferece bolsas de estudos para jornalistas nos EUA e no exterior desde 1938, destacou seu contentamento com a decisão do Departamento de Estado. "Ficamos contentes que a situação tenha sido resolvida, muitas pessoas trabalharam juntas para apoiar Hollman durante este mês, e esperamos que ele se junte a nós em Harvard", disse Giles, em um comunicado.

Giles havia dito que um funcionário na embaixada dos EUA em Bogotá falou que Morris foi declarado inelegível, de forma permanente, para obter o visto, sob as normas de "atividade terrorista", do Patriot Act, sancionado no final de 2001. As autoridades dos EUA nunca deram detalhes sobre a decisão contra Morris.

Morris é conhecido por seus trabalhos de denúncias sobre os paramilitares, mas também por seus contatos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), consideradas uma organização terrorista pelos EUA.

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