''EUA não aceitarão tom evasivo sobre palestinos''

ENTREVISTA - Moshe Ma?Oz: Conselheiro israelense nos Acordos de Oslo

Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Atrás da imprevisibilidade do encontro entre o presidente Barack Obama e o premiê Binyamin Netanyahu, há uma certeza: "A visita sela o fim de uma era em que interesses de Israel e dos EUA eram tratados como sinônimos no vocabulário de Washington. E os dois lados sabem muito bem disso", diz Moshe Ma?oz, conselheiro do premiê Yitzhak Rabin nos Acordos de Oslo. Ele falou ao Estado por telefone.Israel e os EUA parecem estar em rota de colisão. Um analista chegou a dizer que se trata da maior crise nas relações desde 1989, quando o então secretário de Estado, James Baker, pediu que israelenses abandonassem o "plano irreal da Grande Israel". O senhor concorda com essa interpretação?Concordo que há uma rota de colisão, mas não estou certo de que haverá ruptura. Obama dará uma chance a Bibi. O premiê israelense, por sua vez, tentará ganhar tempo na questão palestina, utilizando expressões já vistas em sua campanha, como "paz econômica" e "construção da sociedade civil" - driblando a palavra "Estado". Mas Obama não cairá nessa. Ele sabe desses truques e a pressão sobre Bibi pode dar resultados.Mas, sustentando-se numa coalizão direitista, pode Bibi ser assim pragmático?De fato é difícil. O chanceler Avigdor Lieberman (de extrema direita) não é avesso a uma solução de dois Estados. São os partidos religiosos os principais opositores do plano, mas não serão eles que negociarão e não sabemos sua posição se Bibi ceder a algumas das pressões de Obama. Há também a possibilidade de a coalizão de Netanyahu entrar em colapso e um novo governo, desta vez com (a líder do centrista Kadima) Tzipi Livni, emergir. Apenas uma coisa é certa: os tempos da era Bush acabaram. Obama quer uma nova relação com o mundo árabe e isso requer, sobretudo, uma solução para a questão palestina.Como o diálogo de Obama com o Irã é percebido em Israel?Há muito ceticismo. Eu, particularmente, não estou certo de que funcionará. Além do programa nuclear, há pontos muito complicados, como a influência iraniana no Iraque, Afeganistão, Líbano e sobre o Hamas. Como isso será negociado? Israel tenta avançar uma visão de que só se pode falar sobre uma solução para a questão palestina, quando os EUA contiverem a ameaça iraniana - balela que, certamente, o governo Obama não comprará. Bibi também deve usar o diálogo com Damasco como uma forma de evitar negociar com os palestinos, sob um argumento do tipo ?uma coisa de cada vez?.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.