EUA não conseguem prestar contas de fundos iraquianos

O Departamento de Estado norte-americano não é capaz de prestar contas de mais de 95% dos US$ 9,1 bilhões de recursos provenientes do petróleo iraquiano que os Estados Unidos direcionaram para a reconstrução do país, segundo um relatório de auditoria divulgado hoje.

AE-AP, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 13h33

O relatório do Investigador Especial dos Estados Unidos para a Reconstrução do Iraque oferece uma visão sobre o contínuo descontrole sobre como esses fundos são empregados num país onde o povo reclama da falta de serviços básicos como energia elétrica e água potável, sete anos após a invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou Saddam Hussein.

A auditoria descobriu relatórios feitos de maneira precária pelo Departamento de Defesa, que não permitem que o Pentágono preste contas de forma completa de US$ 8,7 bilhões que retirou, entre 2004 e 2007, de um fundo especial estabelecido pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa quantia, o Pentágono "não pode fornecer documentação para confirmar como gastou US$ 2,6 bilhões". Esses fundos não fazem parte dos US$ 53 bilhões alocados pelo Congresso para a reconstrução do Iraque.

O relatório foi divulgado durante um período complicado para o Iraque. Apesar dos ganhos em segurança conquistados desde 2008, ataques com bombas continuam a ocorrer quase diariamente, somando-se às frustrações e temores dos iraquianos, cada vez mais cansados da atual crise política que, segundo alguns, reflete como os políticos do país estão mais interessados em seus próprios interesses dos que nos da nação.

Os políticos chegaram a um impasse desde as eleições parlamentares de 7 de março, que não tiveram um vencedor claro. Eles não foram capazes de formar um novo governo, já que o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, um xiita, parece determinado a permanecer no cargo, enquanto influentes partidos xiitas querem que ele deixe o governo.

Incapacidade

A auditoria cita vários fatores que contribuíram para a incapacidade de prestar contas da maior parte do dinheiro retirado pelo Pentágono do Fundo de Desenvolvimento para o Iraque. O documento diz que a maior parte das organizações do Departamento de Estado que receberam dinheiro do fundo foram incapazes de seguir as regras do Departamento do Tesouro, como é exigido.

Além disso, o relatório diz que nenhuma organização do Departamento de Estado foi designada para supervisionar a prestação de contas e os gastos dos fundos. "O colapso dos controles deixaram os fundos vulneráveis para usos inapropriados e perdas não detectadas", diz o documento.

A auditoria descobriu que os Estados Unidos continuam a manter em seu poder cerca de US$ 34,3 milhões, apesar de ter recebido o pedido para devolver o dinheiro ao governo iraquiano. Mas a auditoria não indica que os investigadores acreditem que tenha havido exemplos de fraude envolvendo os gastos desses recursos.

Programa

Os recursos do Fundo de Desenvolvimento para o Iraque vêm das exportações de petróleo e gás do país, bem como dos bens congelados e dos fundos excedentes do Programa Petróleo por Comida, da época de Saddam Hussein.

Com o estabelecimento da Autoridade Provisória de Coalizão, que governou o Iraque no período logo depois da invasão, em 2003, até meados de 2004, cerca de US$ 20 bilhões foram somados ao fundo. O governo iraquiano havia concordado em permitir que os Estados Unidos continuassem a ter acesso aos fundos após a dissolução da autoridade provisória, em 2004, mas revogou essa autorização em dezembro de 2007.

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