Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

EUA não consideram impeachment de Lugo como ruptura da democracia

Governo americano diz estar otimista com promessa de Federico Franco de convocar eleições em 2013

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

25 de junho de 2012 | 21h02

WASHINGTON - O governo americano admitiu ontem estar preocupado com a rapidez do processo de impeachment de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai, mas não chegou a avaliar esse episódio como uma "ruptura da ordem democrática" Washington. Ao contrário do Brasil e da Argentina, mostrou-se otimista com a promessa do sucessor de Lugo, Federico Franco, de convocar as eleições presidenciais de 2013.

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Tampouco consideram, neste momento, chamar seu embaixador em Assunção para consultas no Departamento de Estado - o primeiro passo de um possível rompimento de relações diplomáticas. Brasil, Argentina e Venezuela já adotaram a medida.

"Nós estamos muito preocupados com a velocidade do processo de impeachment no Paraguai. E notamos, nos comunicados (do novo governo do país), que as eleições e a transição para o próximo governo ocorrerão conforme o calendário", afirmou ontem Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado.

Nuland afirmou que os EUA não consideraram ter havido um golpe de Estado no Paraguai, nos moldes tradicionais, mas estão abertos para as avaliações contrárias. Suas resposta à imprensa indicaram a intenção do governo de Barack Obama de não comprar uma nova briga com a América Latina, ao estilo da travada há três anos em torno do golpe em Honduras.

A questão paraguaia será discutida hoje em sessão extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), inicialmente prevista para amanhã. "Queremos ver quanta unidade há na OEA sobre os próximos passos", declarou.

Os EUA estão cientes da debilidade atual da OEA, especialmente depois dos esforços do governo brasileiro para fragilizá-la. Desde abril do ano passado, quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos condenou a obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o governo Dilma Rousseff chamou o embaixador Ruy Casaes, chefe da missão do país na OEA para consultas em Brasília. A contribuição do país à entidade também continua suspensa.

 

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