EFE/Alejandro Ernesto
EFE/Alejandro Ernesto

EUA não convidarão dissidentes cubanos para inauguração de embaixada em Havana

Segundo funcionários envolvidos no planejamento da cerimônia, medida será adotada para evitar boicote de diplomatas cubanos; dissidentes terão encontro menor com secretário de Estado dos EUA

O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 14h35

WASHINGTON - O governo americano não planejta convidar dissidentes cubanos para o histórico evento marcado para sexta-feira, no qual o secretário de Estado John Kerry içará a bandeira dos EUA na nova embaixada do país em Havana, um reflexo de como a política americano mudou seu enfoque sobre a oposição na ilha ao governo de Raúl Castro.

Ao invés de convidar os dissidentes para a cerimônia, Kerry participará de uma reunião com menos destaque com alguns dos principais ativistas, afirmaram fontes do governo americano.

A oposição cubana esteve noc entro das políticas americanas com relação à Cuba desde que os dois países romperam laços diplomáticos, em 1961. O governo cubano considera seus opositores locais como mercenários traidores a serviço dos EUA.

Mesmo nesse momento, em que os dois países estão cada vez mais perto de restaurar completamente suas relações diplomáticas, Cuba quase não se reúne com políticos americanos que se encontram com dissidentes durante suas viagens a Havana.

Essa situação criou um dilema para os diplomatas americanos que organizam a cerimônia de reabertura da embaixada em Havana. Se convidassem os dissidentes, os americanos correriam o risco de serem boicotados pelas autoridades cubanas, incluindo aquelas que negociaram com os próprios americanos desde o histórico anúncio, em dezembro, de Raúl Castro e Barack Obama.

Excluir os dissidentes, no entanto, provocará duras críticas dos opositores das novas políticas de Obama, incluindo de Marco Rubio, que disputa a indicação republicana à Casa Branca e tem origem cubana.

Funcionários do governo americano envolvidos no planejamento da primeira visita de um secretário de Estado dos EUA a Cuba desde a 2ª Guerra afirmaram que os EUA planejam uma solução negociada para o impasse: os dissidentes serão convidados para uma reunião de pequeno porte com Kerry na tarde de sexta-feira na residência do embaixador, onde haverá uma outra cerimônia de içamento da bandeira, mas com menos destaque que a na própria embaixada.

"Não seria uma surpresa a diplomacia americana priorizar os contatos com o governo de Cuba. É o normal", afirmou Elizardo Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, um dos principais grupos dissidentes na ilha. "Se nós aparecemos, (o governo) vai embora."

Até a tarde de terça-feira, porém, alguns dissidentes mais conhecidos ouvidos pela agência Associeted Press disseram não terem sido convidados para nenhuma das duas cerimônias. Já o portal online 14ymedio, de Yoani Sánchez, disse ainda não ter uma resposta ao pedido de credenciamento de imprensa feito para assistir ao içamento da bandeira por Kerry.

"Acredito que o correto seria nos convidarem e ouvirem nossa voz, mesmo que não estejamos de acordo. Esse é o correto", disse Antonio Rodiles, presidente do grupo dissidente Estado de SATS. "Me surpreenderia se não nos convidarem. Se me convidarem, bom, me alegro. Mas se não, também não ficaria surpreso."

Em uma carta enviada na terça-feira para Kerry, Rubio citou o nome de Rodiles como um dos dissidentes que o secretário do Estado deveria convidar para a cerimônia na embaixada. "(O sr.) deveria se reunir com os valentes líderes que lutam para liberar Cuba e convidá-los para a cerimônia que presidirá na nova embaixada americana", escreveu Runio. "Eles, entre outros, e não a família Castro, são os representantes legítimos do povo cubano." / AP

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